Blog do Viana
Cultura

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01 de fevereiro de 2026
10 min de leitura

Eu sou aquele amante à moda antiga

Vivemos em um mundo onde as mudanças sociais acontecem a todo momento. A cada dia, novas ideias, comportamentos e formas de interação surgem, transformando a maneira como as pessoas convivem em sociedade. Essas mudanças refletem não apenas o avanço da tecnologia e da comunicação, mas também a busca constante por mais justiça, igualdade e respeito às diferenças.

Se antes a informação demorava para circular, hoje ela se espalha em segundos, influenciando opiniões, aproximando culturas e, ao mesmo tempo, gerando desafios, como a propagação de fake news e a superficialidade das relações.

Como a mudança social, é a transformação da sociedade e do seu modo de organização, muitos hábitos e costumes deixam de fazer ou começam a fazer parte do cotidiano das pessoas.

Por exemplo, não podemos afirmar que o romantismo acabou ou melhor, que só existe em letras de músicas, mas com certeza que a forma de expressar o romantismo mudou com o tempo.

No passado, o romantismo era muito associado a gestos clássicos, tais como: dançar colado mostrava a intimidade e a sintonia do casal, andar de mãos dadas pelas ruas, como sinal de compromisso, guardar fotos em carteira ou dentro de livros, cartas de amor escritas à mão (muitas vezes perfumadas ou guardadas por anos), serestas e serenatas com violão embaixo da janela da pessoa amada, presentes simbólicos como flores, lenços ou retratos emoldurados, poesias e declarações em papéis, diários ou até dedicatórias em livros. Não podemos esquecer a ansiedade de esperar encontros, já que a comunicação era mais lenta.

Hoje, a vida mais acelerada e as mudanças tecnológicas, fizeram com que essas manifestações se transformassem, por exemplo: enviar mensagens de bom dia/noite pelo WhatsApp, áudios com declarações espontâneas a qualquer hora, presentes criativos e experiências (como viagens, jantares, shows juntos), postagens em redes sociais para marcar e celebrar o relacionamento, surpresas tecnológicas como vídeos, montagens de fotos ou declarações em posts, envio de fotos e emojis carinhosos em tempo real e até compartilhar localização ao chegar em casa como cuidado e demonstração de carinho.

Entendo portanto, que podemos dizer que o romantismo não acabou, ele apenas se reinventou. O essencial continua o mesmo: demonstrar amor, cuidado e presença. Só a forma de expressar é que acompanha a cultura e o tempo.

Todavia, nos meus sessenta e seis anos, prefiro o romantismo de antigamente, como muito bem cantada por Roberto Carlos: “Eu sou aquele amante à moda antiga”.

Mesmo não tendo vivido nesse tempo, podemos destacar principalmente na época que as serenatas eram um tradição urbana e romântica, feitas à noite em frente às janelas ou nas ruas tranquilas. A serenata era uma homenagem surpresa, quase sempre dirigida à donzela amada. Os seresteiros geralmente acompanhados de instrumentos como violão e cavaquinho, entoavam canções românticas e melodiosas nas calçadas, sob a janela da pessoa reverenciada. Receber uma serenata era prazer e emoção, pois reafirmava afeto entre enamorados, além do deleite com um belo repertório.

O auge da serenata no Brasil aconteceu entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, mais ou menos de 1880 até 1940.

As primeiras serenatas urbanas surgiram a partir de 1880, ocorreram especialmente no Rio de Janeiro e em cidades mineiras. Os instrumentos principais eram o violão e a flauta.

No início do século XX (1900–1920), adoção do rádio ainda não havia mudado a cultura local. A serenata era um evento social importante tendo popularidade crescente entre a classe média urbana e boêmios. Nesse período tivemos o surgimento de seresteiros famosos, músicos que se dedicavam exclusivamente à serenata.

Entre os anos de 1920–1940 tivemos o auge da serenata no Brasil ou melhor o período de maior popularidade. A consolidação do violão como instrumento principal e inclusão de pequenos grupos de cordas. As festas de bairro e serenatas em datas especiais eram comuns. Com influência direta nas músicas românticas brasileiras, como o samba-canção e as primeiras composições que depois inspirariam a bossa nova.

Infelizmente entre os anos 1950–1960, com a urbanização crescente e expansão das cidades grandes tornaram as ruas menos propícias para serenatas.

A popularidade do rádio, cinema e posteriormente televisão mudou o entretenimento noturno. A serenata passou a ser mais simbólica e rara, preservada em festas tradicionais e eventos culturais.

Bem, hoje sobrevive como tradição nostálgica, especialmente em cidades históricas como Ouro Preto, Tiradentes e São João Del-Rei.

No Brasil, serenata e seresta muitas vezes se confundem, mas têm significados diferentes. A serenata é o ato romântico de cantar à noite diante da casa de alguém, geralmente para homenagear ou conquistar. Já a seresta é mais ampla: representa a tradição musical e cultural das rodas de amigos que cantam modinhas, choros, valsas e boleros. Assim, toda serenata pode ser vista como uma forma de seresta, mas a seresta vai além da serenata individual.

Os primeiros seresteiros foram os tropeiros, que expressavam por meio do violão e dos versos a saudade do lar.

A seresta como gênero musical brasileiro, não possui um único criador. É mais um costume popular do que uma forma musical com um inventor específico. 

Ela se consolidou no Brasil especialmente entre o final do século XIX e início do século XX, como uma forma popular de se referir à serenata, que já existia há mais tempo, que foi um costume boêmio que nós herdamos, como tantos outros, da Península Ibérica.

Podemos dizer que a seresta nasceu da fusão da tradição portuguesa das serenatas com a musicalidade brasileira (modinha, valsa, lundu, choro), tendo como berço principal as cidades históricas de Minas Gerais e o Rio de Janeiro.

A seresta era uma forma de música popular que se manifestava principalmente em apresentações noturnas ao ar livre, como em ruas, praças e varandas de casas. Nas serestas brasileiras não havia uma única música que fosse a mais cantada, mas sim um repertório de canções que se repetiam muito, tornando-se verdadeiros hinos seresteiros.

A seresta contemporânea é uma derivação do arrocha e não mais da seresta original. Embora o gênero tenha evoluído e se modernizado, a tradição da seresta original ainda se mantém viva em certos lugares do Brasil.

Em 2015 tive a oportunidade de conhecer uma cidade chamada Conservatória (distrito de Valença/RJ). Seu apelido é Cidade da Seresta e dos Seresteiros.

Todos os finais de semana há grupos que cantam pelas ruas e bares, atraindo turistas do Brasil inteiro. A seresta ou serenata move o turismo e cada vez mais surgem projetos fortalecendo esse traço cultural. Museus e formação de grupos de seresteiros entre os adolescentes prometem a perpetuação dessa bela prática. A mais de cem anos que os moradores saem pelas ruas de Conservatória tocando e cantando de acordo com a tradição iniciada por professores de música que viveram na vila. Os habitantes da cidade gostam tanto de música que colocam uma placa na frente de casa com o nome de sua canção preferida e seus compositores. A padaria da esquina se chama Luz Branca; a drogaria, Harmonia; o restaurante é Dó-Ré-Mi.

Não existe um único “Dia da Seresta” em todo o Brasil, mas sim diversas datas que homenageiam o gênero musical, como o Dia do Seresteiro em 23 de maio (nascimento de Sílvio Caldas) e o Dia Nacional da Seresta em 12 de setembro, uma homenagem ao nascimento do ex-presidente Juscelino Kubitschek de que veio ao mundo em 12 de setembro de 1902 na cidade mineira de Diamantina, era fascinado por esse costume artístico.

Entre os maiores seresteiros do Brasil, podemos destacar: Pixinguinha (1897–1973), mestre do choro, mas também muito presente nas serestas, com sua flauta e depois saxofone, Catulo da Paixão Cearense (1863–1946) considerado um dos grandes nomes das modinhas e serestas, poeta e compositor romântico,

Francisco Alves (1898–1952) o “Rei da Voz”, cantor que imortalizou várias canções românticas em serenatas, Mário Lago (1911–2002) que era poeta, ator e compositor de clássicos seresteiros como Amélia, Orlando Silva (1915–1978) conhecido como o “Cantor das Multidões”, voz marcante das serestas brasileiras, Vicente Celestino (1894–1968) que tinha uma voz poderosa, um dos mais lembrados em serestas com canções como O Ébrio, Silvio Caldas (1908–1998) também chamado de “Seresteiro do Brasil”, um dos maiores intérpretes e compositores do gênero, Nelson Gonçalves (1919–1998) sem sombra de dúvida dono de uma das vozes mais fortes e populares, muito ligado às serestas urbanas, Carlos Galhardo (1913–1985), outro intérprete de destaque da era de ouro da seresta.

Escrever sobre seresta ou serenata se faz necessário lembrar do violão. No Brasil, o violão se tornou um símbolo cultural, acompanhando diversos gêneros musicais. Sua presença em rodas de samba, serenatas e rodas de amigos o tornou um instrumento intimamente ligado à identidade brasileira.

A relação entre o seresteiro e o violão é de profunda complementaridade. O seresteiro encontra no violão um meio de dar vida às suas canções e o violão encontra no seresteiro um intérprete que valoriza sua beleza sonora e sua capacidade de criar momentos inesquecíveis.

Importante ressaltar que a seresta contemporânea é uma derivação do arrocha e não mais da seresta original. O arrocha é uma forma musical brasileira de ritmo romântico, sensual e arrastado, que se originou na Bahia a partir dos anos 2000. Este gênero popular tem suas raízes no bolero, seresta e música brega, misturando a “dor de cotovelo” do brega com influências do forró e do sertanejo, e caracteriza-se por letras emotivas sobre amores e desilusões.

Os “tempos áureos da seresta” se foram, mas ela sobrevive em formatos diferentes, com espaço menor e com a ajuda do público fiel de sempre. Ainda existem músicos e grupos que a cultivam, buscando manter viva essa tradição. Em alguns bairros antigos Rio de Janeiro, como Santa Teresa, ainda acontecem encontros de seresteiros.

Bem, a seresta mexe com o coração de todo mundo, inclusive o meu. Me reservo em dizer que a seresta está no DNA dos brasileiros para sempre. Até hoje, quem tem sentimento, quem tem amor no coração, com certeza se comove com uma seresta.

O perigo nos dia atuais é alguém pegar um violão, começar a tocar e cantar sob uma janela hoje em dia, por mais afinado e talentoso que seja, correr o risco de levar tiro. Sem se esquecer que a moradia em edifícios altos impossibilita essa prática tão comum em décadas antigas.

Concluo, lembrando de uma música cantada pelo saudoso Altemar Dutra denominada “O Trovador”: Sonhei que eu era um dia um trovador, dos velhos tempos que não voltam mais, cantava assim a toda hora, as mais lindas modinhas, do meu Rio de outrora. Sinhá mocinha de olhar fugaz, se encantava com meus versos de rapaz…

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23 de dezembro de 2025
10 min de leitura

O Homem de Nazaré

No ano de 1973, foi lançada em todo Brasil, à música “O Homem de Nazaré” de autoria do compositor Cláudio Fontana. A canção foi um grande sucesso na voz do cantor Antônio Marcos. A música é uma homenagem a Jesus Cristo, focando em seus ensinamentos de humildade e amor. No início da letra da música temos a seguinte parte: “Mil novecentos e setenta e três. Tanto tempo faz que ele morreu. O mundo se modificou.  Mas ninguém jamais o esqueceu. E eu, sou ligado no que ele falou.  Sou parado no que ele deixou. O mundo só será feliz.  Se a gente cultivar o amor. Hei, irmão, vamos seguir com fé.  Tudo que ensinou.  O Homem de Nazareth”.

Em outro trecho da música ele diz: “Ele era um rei. Mas foi humilde o tempo inteiro.  Ele foi filho de carpinteiro.  E nasceu em uma manjedoura. Não saiu jamais. Muito longe de sua cidade. Não cursou nenhuma faculdade. Mas na vida Ele foi doutor”.

Focando nessa parte final, a música diz que Jesus não cursou nenhuma faculdade mas na vida Ele foi “Doutor”. Este termo é derivado do grego didáskalos ((διδάσκαλος) que significa também, “mestre” ou “instrutor”.

Em latim a palavra “Mestre” (magister) significa aquele que concluiu o curso de pós graduação ” strictu sensu” de mestrado, defendendo uma dissertação aprovada perante banca examinadora composta de doutores.

Em resumo, o título de mestre é um grau acadêmico de pós-graduação stricto sensu e é comum em uma ampla gama de profissões, especialmente naquelas que envolvem ensino superior, pesquisa científica e posições de alta qualificação no mercado de trabalho. É um requisito comum ou um diferencial importante para lecionar em faculdades e universidades.

Em sentido amplo, essa palavra evoluiu para indicar alguém que domina profundamente uma arte, profissão ou ciência, ou que tem a capacidade de ensinar. Exemplos notáveis incluem: Mestre de Obras, Mestre-Mecânica, Mestre em artes marciais, Mestre-Cuca, Mestre-Sala, etc. De forma geral, “mestre” pode ser usado para se referir a qualquer pessoa que seja uma autoridade ou perita em sua ciência, arte ou atividade, no sentido de professor ou instrutor.

Na Bíblia, “mestre” (ou “rab”) refere-se a alguém com autoridade em ensino, que guia e instrui outros, especialmente em assuntos espirituais e religiosos. Nela encontramos abundantemente Jesus sendo chamado de Rabi e Senhor, evidenciando que o povo o respeitava como mestre. Na tradição judaica, os rabinos eram os mestres religiosos responsáveis por ensinar a lei de Moisés e interpretar as Escrituras.

Provavelmente a maioria das pessoas viam Jesus, mais como mestre do que como Messias. Fica claro que Jesus foi amplamente reconhecido e chamado de “Mestre” pelos que o rodeavam, tanto por sua sabedoria quanto por seu papel de líder espiritual. Foi reconhecido como mestre até pelos escribas e fariseus como podemos ver nessa passagem do evangelho Marcos 12:14: “Mestre, sabemos que és sincero e que, porque não olhas à aparência dos homens, mas ensinas o caminho de Deus seguindo a verdade; é permitido que se pague o imposto a César, ou não? Devemos, ou não pagá-lo?

Importante lembrar que Jesus Cristo não frequentou os bancos de uma escola, nem cresceu aos pés dos intelectuais da época, dos escribas e fariseus, mas frequentou a escola da existência, a escola da vida. Nessa escola, conheceu profundamente o pensamento, as limitações e as crises da existência humana.

Ele não tinha para si “uma” escola ou “um” púlpito, onde ensinava, Ele fazia isso junto nas Sinagogas, à beira do mar, em embarcações, em montes, pelos caminhos por onde andava. Percorria ensinando em várias cidades e as multidões sempre o acompanhavam, andando como ovelhas atrás de seu pastor, ao final de tarde. Todas as referências que podemos verificar mostram Jesus ensinando em vários lugares, sendo constantemente, chamado de “Mestre” ou “Rabino.

Por onde passava, atuava como mestre e iniciava sua escola. Nela não havia mesa, carteira, lousa, giz, computador ou técnica pedagógica. Então que práticas pedagógica Jesus utilizava para conseguir prender a atenção de multidões? Sua técnica eram suas próprias palavras, seus gestos e seus pensamentos. Sua pedagogia era sua história e a maneira como abria as janelas da inteligência dos seus discípulos.

Na verdade, Jesus sabia que tinha que levar o seu ensino para todos quantos pudesse alcançar, mas que no momento sozinho era, humanamente, impossível, então, Ele começou a doutrinar os seus discípulos na arte da oratória e da comunicação e de como transmitir com amor, utilizando-se somente deste recurso. Para realizar o seu ensinamento com extrema qualidade e perfeição, seu segredo era a prática das suas palavras, pois seu ensino falava para a experiência do coração, onde levava o homem a edificação da razão. A atuação de Jesus como educador, foi notória para todos que estavam a sua volta na época.

Ele não só ensinava, mas também demonstrava com sua vida o que pregava, incluindo humildade e serviço. Destacou por sua capacidade de ensinar com clareza, simplicidade e autoridade, usando parábolas e histórias para transmitir verdades espirituais complexas. 

Ele compreendia a forma de pensar das pessoas. Ele foi um dos maiores professores da história porque sabia que cada pessoa só pode compreender as coisas a partir da sua perspectiva pessoal. Por isso ele ensinava por meio de parábolas. “E não lhes falava nada a não ser em parábolas; a sós, porém, explicava tudo a seus discípulos.” (Marcos 4:34). A parábola é uma história que nos ajuda a compreender a realidade. Podemos extrair dela as verdades que formos capazes de entender e aplicá-las em nossas vidas, à medida que crescemos e evoluímos, podemos rever as parábolas para descobrir novos significados que nos guiem em nossos caminhos.

Alguns dos discípulos do mestre de Nazaré tinham um comportamento pior do que muitos alunos rebeldes da atualidade, mas ele os amava independentemente dos seus erros. O semeador da Galileia estava preocupado com o desafio de transformá-los. Ele era tão cativante que despertou a sede do saber naqueles jovens, em cujas mentes não havia mais do que peixes, aventura no mar, impostos e preocupação com a sobrevivência.

Quando Jesus falava, todos ouviam e tremiam. Ficavam atônitos, e o coração deles derretia, porque ele falava com autoridade. “Chegando à sua cidade, começou a ensinar o povo na sinagoga. Todos ficaram admirados e perguntavam: De onde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes milagrosos?”. Mateus (13, 54).

Ao analisarmos os evangelhos, percebemos que Jesus conhecia profundamente as Escrituras Sagradas. Fazia citações de memória. Jesus compreendia profundamente a natureza humana. Interessava-se mais pelo ser humano do que pelos credos, cerimônias, ritos e organizações, e sempre buscava fazer algo para ajudar as pessoas. Atitudes como essas, sempre caracterizaram os grandes mestres que passaram por este mundo.

Jesus sabia que seu ensino transformava vidas. Não admira que tantos o seguissem, porque seus ensinamentos mudavam vidas. Ele conclamava as pessoas a um compromisso radical e a tomar atitudes drásticas. Depois de ouvi-lo, as pessoas nunca mais seriam as mesmas.

Tinha grande paciência para educar, mas não era um mestre passivo, e sim provocador. Não apreciava uma plateia passiva de alunos. Por isso, gostava de instigar e provocar continuamente a inteligência deles, e, para isso, aproveitava todas às oportunidades.

Embora fosse eloquente, expunha e não impunha suas ideias. Não persuadia e nem procurava convencer as pessoas a crer nas suas palavras. Não as pressionava para que o seguissem, apenas as convidava. Ele era tão sofisticado em sua inteligência que fazia psiquiatria e psicologia preventiva quando essas nem ensaiavam existir.

A intrepidez de Cristo era tão impressionante que ele se colocava acima das leis físico-químicas. Chegou a expressar que “os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”

O mestre de Nazaré era um maestro da vida. Ele usava seus momentos de silêncio, suas parábolas, suas reações para estimular seus incultos discípulos a se tornarem um grupo de pensadores, capazes de tocar juntos a mais bela sinfonia de vida.

Era um agradável contador de histórias. Todos sentiam o privilégio de estar ao lado dele. Paciente e carismático na arte de ensinar. Jesus também foi visto como um mestre revolucionário, que questionava as normas e tradições estabelecidas da sociedade da época.

Tinha uma característica que se destaca claramente em todas as suas biografias, mas que muitos não conseguem enxergar. Era tão sociável que participava continuamente de festas. Participou da festa em Caná da Galileia, da festa da Páscoa, do tabernáculo e muitas outras.

Há mais de dois mil anos Ele nos deu um exemplo, uma direção a seguir, uma posição a ser tomada. Os ensinamentos de Cristo se encontram não apenas em Suas parábolas e em Seus sermões, mas também no exemplo pessoal que Ele nos deu durante Sua vida, um exemplo de obediência, humildade e amor.

Para ele, o conhecimento devia se traduzir sempre nos atos e não nos discursos racionais. Foi isso que ele quis dizer quando falou: “A sabedoria é demonstrada pelas suas ações.” (Mateus 11:19).

Na escola de Cristo não há reis, políticos, intelectuais, iletrados, moralistas e imorais. Todos são apenas o que sempre foram, ou seja, seres humanos. Ninguém está um milímetro acima ou abaixo de ninguém. Todos possuem uma relação fraternal de igualdade.

Jesus conseguia ensinar desde o mais simples dos homens até o mais culto e estudado. Escribas, fariseus, autoridades judaicas e romanas, homens e mulheres de alta posição, mendigos e as mais tenras criaturas eram alcançadas por ele, em meio a uma multidão eclética e diversificada. Perturbou profundamente a inteligência dos homens mais cultos de sua época. Os escribas e fariseus, que eram intérpretes e mestres da lei, que possuíam uma cultura milenar rica, ficaram chocados com seus pensamentos.

Ele veio ao mundo para revelar o amor de Deus e ensinar como viver de acordo com Sua vontade. Nos chamou a amar, perdoar, servir com humildade, orar com fé, compartilhar o evangelho e confiar na salvação que Ele oferece.

A vida de Jesus é um modelo perfeito a ser seguido, e sua mensagem de amor, perdão e esperança continua relevante e poderosa. Ninguém tem dúvida Jesus sempre será o Maior Mestre desse mundo de Deus. Ou temos?

Concluímos lembrando do refrão da música “O Homem de Nazaré”:  Hei, irmão, vamos seguir com fé.  Tudo que ensinou.  O Homem de Nazaré.

Família

Em

01 de dezembro de 2025
11 min de leitura

Uma Aliança Sagrada

O casamento sempre foi uma questão central na vida humana. No projeto de Deus a vida humana nasce e cresce dentro de um ninho de amor. O casamento é uma instituição sagrada, estabelecida por Deus desde o início da criação.

No Evangelho (Marcos 10, 2-16), Jesus aborda a questão do divórcio e reafirma a indissolubilidade do matrimônio. Ele nos lembra que, o plano de Deus para a união conjugal é de amor e fidelidade. Ao responder aos fariseus, Jesus enfatiza que o que Deus uniu, o homem não deve separar. Essa passagem nos desafia a refletir sobre a seriedade do compromisso matrimonial e a importância de cultivar o amor e a compreensão no relacionamento

Segundo a Bíblia, o casamento é uma união entre um homem e uma mulher, destinada a ser uma parceria vitalícia de companheirismo, intimidade e procriação. Essa visão bíblica do casamento como uma aliança sagrada entre um casal reflete a relação entre Cristo e a Igreja, sendo uma representação tangível do amor e do compromisso divinos. Infelizmente, nem todos os casamentos conseguem alcançar esse ideal bíblico.

O casamento sempre foi de suma importância para a vida social do homem, acompanhando a sociedade e seus anseios, tendo em cada época suas peculiaridades. Todavia, atualmente, não é a única forma de constituir família, tendo em vista as mudanças que surgiram ao longo dos anos.

A entidade do casamento é tão antiga que já acontecia entre os sumérios, dita como a civilização mais antiga do mundo (localizada na mesopotâmia).

Quem escolhia o marido era o pai ou, na falta desse, o irmão mais velho da mulher, já o homem poderia escolher sua esposa, assim como os seus pais também poderiam escolher a futura nora. Basicamente, era realizado um acordo entre as famílias dos cônjuges.

Por muito tempo na história da civilização, inclusive durante toda a Idade Média, em todas as classes o casamento independia de qualquer conotação afetiva, ou seja, o casamento era instituto obrigatório com a única finalidade de constituir família e gerar filhos, para dar continuidade ao nome da família, independente de afeto ou não entre os nubentes.

Infelizmente, nos tempo atuais, temos muitos que se casam somente para viver um grande romance, para se divertirem tendo alguém ao lado, para se livrarem da sensação da solidão e da rejeição, para fugirem de alguma situação da vida ou para serem amados como nunca foram,

Passados milhares e milhares de anos, desde os sumérios, o ser humano continua casando. Muitos gostam de dizer que em decorrências das mudanças sociais e culturais, incluindo a maior liberdade sexuais, nos tempos atuais, que o casamento está em vias de desaparecer. Todavia, apesar do número de divórcios tenha aumentado em diversos países e também no Brasil, o casamento continua a ser uma instituição social e legalmente reconhecida e relevante. A frase “o tempo passa, mas o casamento continua” reflete a ideia de que a vida conjugal, apesar das mudanças inevitáveis, pode persistir e evoluir ao longo dos anos.

A vida de casado é difícil? Essa pergunta passa pela cabeça de todos os casais em algum momento da vida, em decorrência dos problemas conjugais que fazem parte do relacionamento. Não há uma fórmula para manter uma união duradoura. A convivência, nem sempre é um mar de rosas. Às vezes, acontecem brigas por coisas banais. Fala-se coisas sem pensar, depois vem o arrependimento. Todavia, como muitos casais terminam não conseguindo enfrentar os desafios e as dificuldades, temos como consequência a infelicidade da união, o que resulta na separação.

Bem, não considerando os casamentos resultantes de escolhas familiares, podemos afirmar que as etapas de namoro e noivado ainda são importantíssimas para se ter uma grande chance do sucesso de laços matrimoniais, apesar dos significados e práticas do namoro terem sofrido muitas mudanças com o passar das décadas. Mas as mudanças sempre vão acontecer na sociedade e devem ser vistas como uma evolução do modo de ser e pensar das pessoas. Hoje temos mais liberdade para escolher, mais informação para tomar decisões melhores e menos pressão para entrar ou permanecer em relacionamentos ruins. Mas, ao mesmo tempo, parece que a dinâmica dos encontros e do namoro mudou bastante, e nem sempre para melhor. O conceito de namoro se expandiu, deixando de ser um caminho direto para o casamento e se tornando uma fase de experimentação. Com a chegada da internet e dos celulares, o namoro entrou em uma nova era. As redes sociais e os aplicativos de relacionamento mudaram completamente a forma como as pessoas se conhecem e se relacionam. Antigamente, tudo parecia mais simples: menos redes sociais, menos opções e, talvez, menos expectativas irreais.

Independentemente dos tempos modernos, acredito ser o namoro como um dos melhores momentos de nossas vidas. Esta fase cheia de descobertas importantes para as duas pessoas envolvidas é um preparatório para a construção mais sólida da vida a dois. O namoro dá ao parceiro ou parceira maturidade para aprender a viver ao lado de outra pessoa. É um período de preparação para alinhar expectativas e aprender a administrar conflitos, que surgem ao longo da relação e durante a convivência no casamento. Quando nos apaixonamos, naquela primeira fase do amor não enxergamos os defeitos do parceiro, mas tendem a aparecer ao longo tempo. Dificilmente alguém consegue esconder sua personalidade por muito tempo. Por isso que o tempo da fase de namoro e noivado não podem ser desconsiderada.

Apesar de ser uma opinião pessoal, entendo que quando um casal de namorados tem diferenças de valor, como por exemplo, preferências religiosas, isso pode causar sérios problemas após a união conjugal, gerando discordâncias sobre que religião ensinar a seus filhos, como disciplinar, definições de certo e errado, ou outros conflitos éticos.

Mas mesmo passando por essas etapas, você nunca vai conhecer por inteiro o outro. Quando a gente pensa que casando vai mudar o outro é um grande erro. Quem muda é Deus. Nós não mudamos ninguém.

O que podemos afirmar depois de quarenta e dois anos de casados, que a vida a dois exige muitos sacrifícios. O casamento é um campo de batalha espiritual. É preciso trabalhar para lutar pelo relacionamento, não para lutar no relacionamento. O amor não tem nada a ver com os contos de fada, as dificuldades existem, e amar é ter a consciência da imprevisibilidade da vida. Um casamento feito pelo impulso da paixão, dificilmente durará para sempre. Não é apenas um estado de vida, mas um projeto que se vai construindo. Um casamento feliz não é uma utopia, é quando duas pessoas escolhem não desistir uma da outra. 

Os casamentos que permanecem felizes por toda uma vida são tão raros, porque são poucos que conseguem fazer a transição do fogo ardente do início, para o amor profundo que nasce da admiração, da cumplicidade, da cooperação, da parceria e do respeito a individualidade.

O casamento exige muitos sacrifícios. Às vezes você precisará renunciar sua vontade, em outros momentos será a vez de seu esposo ou de sua esposa. Os casamentos felizes, só o são porque ambos não estão preocupados em mudar um ao outro. Para manter o casamento por toda a vida, é necessário saber pedir desculpas e saber perdoar.

Casamento também é saber negociar! E entre uma negociação e outra, vocês demonstram o quanto se amam e o quanto são importantes um para o outro, mais do que qualquer outra coisa. O casamento deve ser uma parceria, não uma competição ou luta pelo poder.

Uma das principais causas de casamentos infelizes é a falta de comunicação.  Quando os cônjuges não conseguem se comunicar de maneira aberta, honesta e respeitosa, os problemas tendem a se acumular, levando a um distanciamento emocional e a uma crescente insatisfação no relacionamento. Outro fator comum é a infidelidade, a traição e a quebra de confiança. Quando um dos cônjuges trai o outro, seja emocionalmente ou fisicamente, a base de confiança do casamento é abalada, tornando difícil a reconstrução de um relacionamento saudável.

A interferência de familiares e amigos, bem como problemas pessoais, como adição e abuso, podem contribuir para a deterioração do casamento.

Quando tudo o que seu (ua) parceiro (a) faz te irrita: como ele (a) mastiga, como fala, e até como toma banho, isto indica que a forma como você enxerga seu cônjuge está mudando, e nesses casos, existe algo mais profundo e individual acontecendo.

Se você resolveu compartilhar a vida com outra pessoa através do matrimônio, deverá incluir o verbo renunciarem ao seu repertório, ou seja, “abdicar, deixar voluntariamente de possuir algo, de exercer condição ou direito”.

A renúncia deve ser uma escolha consciente e não uma imposição, garantindo que ambos os parceiros estejam confortáveis com as decisões tomadas.

Bem, definitivamente, a vida a dois exige muitos sacrifícios. E renunciar a própria vontade em algumas situações faz parte dessa entrega mútua que é a vida conjugal.

Importante sempre lembrar que as famílias constituem o primeiro lugar onde nós formamos como pessoas e, ao mesmo tempo, são os ‘tijolos’ para a construção da sociedade”.

A relação entre duas pessoas muda com o tempo. É preciso saber adaptar-se à evolução e às circunstâncias que modificam o modo de amar.

Belíssimo quando o casal chega às bodas de ouro de mãos dadas, tendo feito a experiência de viverem juntos o amor conjugal, paternidade, maternidade.

Eu acredito que o que Deus uniu o homem não separa. Mas também acredito que temos que fazer a nossa parte para cuidar do bem-estar dos nossos relacionamentos com as pessoas que amamos.

Os votos de casamento tradicionais trazem promessas fortes e dos extremos que os casais podem enfrentar durante a sua vida a dois. “Recebo-te por minha esposa, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.” 

Talvez precisa-se um acréscimo nos votos tradicionais: Prometo dividir controle remoto e nunca esquecer que o lado correto da cama é o teu. Prometo sempre ser o teu parceiro de dança preferido, mesmo que não tenhamos nenhum ritmo. Prometo apoiar os teus sonhos malucos e, claro, participar de alguns deles – mesmo que envolvam coisas que nunca pensei fazer. Prometo não reclamar quando você está com o celular na mão e não me dá atenção. Prometo fazer o café da manhã nos fins de semana e nunca reclamar das tuas escolhas de filmes – mesmo que sejam um pouco estranhas. Prometo aguentar teu ronco. Prometo ajudar na lavagem das louças e na limpeza da casa. Prometo não reclamar quando você sai para beber ou jogar com os (as) amigos (as).  Na verdade a lista de promessas é bastante extensa. Parece que a música lançada em 1942 e interpretada pelo cantor Orlando Silva traduz a realidade, em muitos casos, das promessas de casamento, onde diz: “Aos pés da Santa Cruz, você se ajoelhou. E em nome de Jesus um grande amor você jurou. Jurou mas não cumpriu. Fingiu e me enganou. Pra mim você mentiu. Pra Deus você pecou. O coração tem razões. Que a própria razão desconhece. Faz promessas e juras. Depois esquece. Seguindo este princípio. Você também prometeu. Chegou até a jurar um grande amor mas depois esqueceu”.

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30 de outubro de 2025
11 min de leitura

Quem nunca errou que atire a primeira pedra

Acredito que a maioria das pessoas tenham escutado a expressão “Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Por exemplo, quem nunca errou numa discussão familiar, com amigos, no trabalho, no transito, numa decisão, ou se exaltou e até julgou erroneamente o outro. Quem nunca calou para encobrir um misero erro, ou não se omitiu internamente, entre pensamentos. Quem nunca errou no amor?

Em nossa língua portuguesa, há um provérbio muito conhecido, que sofre pequenas variações a depender do local onde ele é pronunciado: “Quem tem telhado de vidro, não joga pedra no do vizinho!”. A origem dessa frase da sabedoria popular se relaciona com o desafio dirigido por Jesus aos fariseus e aos mestres da Lei no evangelho de hoje: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.” (João 8,7). “Ter teto de vidro” significa que todos têm uma fragilidade pessoal ou um “calcanhar de Aquiles”.

Um autor desconhecido escreveu: “Quem nunca errou ou pecou que atire a primeira pedra. Não sou a primeiro a errar, nem a último. A vida não é feita de perfeição e sim de erros.”.

Ninguém é perfeito, somos todos perfectíveis. “Perfeito”, do latim perfectus, significa “completo”, “acabado”. Ora bem, ao contrário dos bens materiais, esses sim acabados e, eventualmente, com algum defeito, nós viemos ao mundo com particularidades e para nos irmos aperfeiçoando.

Deus considera perfeita toda pessoa que se submete a Ele plenamente, adorando-o e servindo-o de todo o coração. Logicamente, tal pessoa é perfeita na esfera finita, assim como Deus o é na esfera infinita. Sabemos que somente Deus é perfeito! Nós humanos podemos nos esforçar ao máximo, que nunca conseguiremos chegar no nível da perfeição divina.

Muitos de nós levam a vida presumindo que estão basicamente certos, basicamente o tempo todo, sobre basicamente tudo: sobre nossas convicções políticas e intelectuais, nossas crenças morais e religiosas, nossa avaliação das outras pessoas, nossas lembranças, nossas atitudes, nosso entendimento dos fatos. É como considerássemos que nossos pensamentos e ações estão sempre certos e que admitíssemos que nunca estamos errado ou de uma forma geral não cometêssemos erros.

Será que alguém sobre esse mundo de Deus possa dizer que nunca errou? Na verdade, sabemos que ninguém está imune a errar – pelo contrário, esse ato faz parte da natureza humana. Existe um ditado popular clássico que diz que “errar é humano”. Essa é uma verdade que independe de latitude, nacionalidade, etnia ou grupo socioeconômico.

Ninguém gosta de errar, mas todo mundo erra. Isto é uma peculiaridade do ser humano. Este ser tão distante da perfeição. E nós somos humanos e cometemos muitos erros. O homem é um ser falível por natureza. O erro diz respeito a uma falha estrutural da constituição humana.

O crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem se fazem muito mais através da análise de nossos erros do que pelo louvor de nossos acertos.

Como não nascemos prontos e acabados, o jogo de tentativas e erros que experimentamos desde muito cedo na vida é a base para o conhecimento de si e do mundo. Podemos até dizer que errar faz parte do processo de amadurecimento.

Quando éramos criança, estávamos fabulosamente errando, a respeito das coisas o tempo todo. Em grande parte, isso se dava porque sofríamos de um grave déficit de informações. Não apenas sobre o seu corpo, mas sobre tudo: pessoas, objetos, idioma, cultura, política, as leis que regem o mundo físico, nossa origem, a identidade de seus pais biológicos ou como (ou até que) um membro da família morreu. Aliado ao problema das informações insuficientes está o problema de más informações. As crianças acreditam em coisas como Papai Noel e a fada dos dentes, não porque sejam particularmente crédulas, mas pelas mesmas razões que o restante de nós acredita em suas crenças.

Os adultos tentam a todo custo evitar que seus filhos errem, sofram, e enfrentem dificuldades, frustrações e desilusões. Porém, é por meio do exercício desses impasses que a criança e o jovem desenvolverão recursos para perseverar diante dos obstáculos, e criarão resistência para lidar com a adversidade. Caso contrário, se sentirão despreparados para os desafios da vida e hesitarão em ter o prazer de se lançarem em novas vivências e descobertas.

Todos nos lembramos da nossa adolescência. Com certeza, não ouvir nossos pais ou os mais velhos, tenha sido um dos piores e mais comuns erros da nossa adolescência. Os pais, em sua maioria, sempre querem que seus filhos se deem bem na vida e não repitam os erros que eles cometeram. Muito de nós não ouvíamos nossos pais, mas tomávamos decisões de acordo com os nossos amigos aconselhavam ou melhor exemplificavam com atitudes.

Mil e duzentos anos antes de René Descartes ter escrito seu famoso “penso, logo existo”. O filósofo e teólogo (e, eventualmente, santo) Agostinho escreveu “fallor ergo sum”: erro, logo existo. Essa frase de Santo Agostinho, me fez lembrar de uma cirurgia que um amigo foi submetido de hérnia ignal. Quando o cirurgião concluiu seu trabalho, ele foi levada a uma sala de recuperação, ainda inconsciente. Ao acordar, ele olhou para si mesma, ergueu os olhos para o médico e perguntou por que o lado errado do seu corpo estava com ataduras. O médico deu uma desculpa esfarrapada. Dias depois teve que se submeter a uma nova cirurgia, agora do outro lado. Um pequeno erro médico.

Bem, no caso o final foi feliz (em tese) mas isto, na minha opinião, evidencia que mesmo profissões que tenham a finalidade de tratar da cura do nosso corpo, são propensas ao erro de diagnósticos, tratamento ou cirurgias.

Quando erramos, de qualquer modo, normalmente é típico reagirmos como não tivessem acontecido: nós os negamos, nos mantemos na defensiva em relação a eles. Temos um instinto natural em procurar justificativas, encontrar culpados, se proteger de algo que acabou cometendo, mesmo que sem intenção. Ter uma atitude defensiva é um dos piores comportamentos que podemos assumir quando erramos.

O reconhecimento de nossos erros pode ser chocante, confuso, engraçado, embaraçoso, traumático, agradável, esclarecedor e transformador da vida, às vezes para o bem e às vezes para o mal. porém, o mais importante é ser capaz de assumir o erro, aprender com ele e procurar não deixar que aconteça de novo. Reconhecer os erros também nos torna uma pessoa mais resiliente, e faz com que passemos a enfrentar os desafios da vida com alegria e disposição.

No início desse artigo afirmei que muitos de nós levamos a vida presumindo que estamos basicamente certos. Para citar apenas os exemplos mais óbvios, todo o evangelismo religioso e uma boa parte do ativismo político (especialmente ativismo arraigado) têm como premissa a convicção de que se pode mudar as crenças das pessoas. Quando outras pessoas rejeitam nossas crenças, achamos que estão erradas. Quando rejeitamos as crenças delas, achamos que nós é que possuímos bom julgamento, ou melhor estamos certos.   Os fanáticos têm em comum a absoluta convicção de que estão certos.

O que nunca podemos esquecer, que erros podem nos custar tempo e dinheiro, sabotar nossa autoconfiança e minar a confiança e estima que as demais pessoas têm por nós. Eles podem nos levar ao pronto-socorro, ou à cadeia, ou a uma vida inteira de terapia. Eles podem nos magoar e humilhar; pior, podem magoar e humilhar outras pessoas. Em suma, até o ponto em que pudermos preveni-los, é o que provavelmente devemos fazer.

O primeiro passo para aprender com os erros é tirar a imagem negativa que nos é imposta desde o começo da vida, onde errar é ruim. Claro que existem penalizações, consequências pelo erro, mas tornar essa experiência apenas algo depreciativo impede que avancemos, enxergando esse ato como um passo para o crescimento e o aprendizado.

Em nossa caminhada no “erro”, precisamos lembrar que erramos rotineiramente em relação ao amor, basta ver a estatística crescente de divórcios. Será que podemos dizer que o amor é erro, ou ao menos que tem a probabilidade de amor como sendo cego — o que significa que nos torna cegos, incapazes de perceber a verdade sobre quem escolhemos para caminhar juntos?

O amor não começa com o coração (nem aponta para o sul). Começa do pescoço para cima, com uma busca de uma comunhão de consciência.

Uma grande paixão inicial. Ao passar do namoro para caminhada do casamento, alguns casais chegam a conclusão de que sua alma gêmea foi apenas ilusão.

Na verdade, durante o encantamento amoroso há uma idealização sobre a “perfeição” dos parceiros e consequentemente das benesses da vida em comum. A partir do casamento, começam os incômodos e críticas em relação às manias, defeitos, hábitos que até então eram atenuados pela separação de casas. Muitos, quando se separam, gostam de culpar as dificuldades da vida a dois. Na verdade, deveriam se auto responsabilizar por não casarem com os “pés no mundo real” e sim fantasiarem, no próprio imaginário, uma ilusão de prazer permanente. Bem, a longevidade das relações está alicerçada nas afinidades, na lealdade e no compromisso de ambos em vencer as dificuldades.

Quando erramos de modo colossal em relação ao amor, isso se parece com algo que nunca vivenciamos. Estruturalmente, esses erros são semelhantes aos erros sobre qualquer outra crença importante.

Quer seja na vida religiosa, política, profissional, na familiar, podemos implementar um sistema para prevenir erros, mas não conseguiremos prevenir todos. Todavia, podemos criar ambientes abertos e transparentes em vez de culturas de segredo e ocultação. Cultivar a habilidade de ouvir mais e respeitar opiniões, mesmos que sejam contrárias as nossas ideologias. 

Não, não somos perfeitos. Vivemos, erramos, falhamos, tomamos direções e caminhos errados, nos decepcionamos, mas no meio disso tudo, o importante é saber que podemos corrigir, retomar, buscar, crescer e sermos melhores do que antes. Na vida é muito difícil sermos perfeitos, pelo menos sejamos  justos e façamos nossas escolhas com imparcialidade, livres e com o coração.

O único homem que nunca comete erros é aquele que nunca faz coisa alguma. Existem pessoas que simplesmente não se arriscam, essas nunca vão acertar. Aquelas que, embora também tenham medo de errar, mas se arriscam mesmo assim, têm chances de acertar.

Segundo Bill Gates todas as empresas precisam de gente que erra, que não tem medo de errar e que aprendem com o erro. Esse pensamento se encaixa em várias áreas da nossa vida.

Errar é vaguear e vaguear é a maneira como descobrimos o mundo; e, perdidos em pensamentos é também a maneira como descobrimos nós mesmos. Acertar pode ser gratificante, mas no final é estático, uma mera demonstração. Errar é difícil e humilhante e, às vezes, até perigoso, mas, ao final, é uma jornada é uma história. Todavia não podemos esquecer de colocar em nossa balança o ensinamento do matemático francês Paul Pierre Lévy, que disse:  “Nossa visão é a de que se você não reconhece que erros ocorreram, nunca eliminará a probabilidade de que voltem a ocorrer.

Sábio é o ser humano que tem coragem de ir diante do espelho da sua alma para reconhecer seus erros e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas sementes no terreno de sua inteligência (escritor Augusto Cury).

Historia

Em

30 de setembro de 2025
13 min de leitura

Todo nordestino é brasileiro mas nem todo brasileiro é nordestino

Já se passaram sessenta e três anos desde o dia em que pisei no solo Nordestino vindo da cidade do Rio de Janeiro. Para mim, que estava com três anos, era indiferente essa mudança de habitar mas para minha mãe, que era carioca da gema, não deve ter sido fácil os primeiros passos.  Meu pai que era Cearense e morou alguns anos na Paraíba, possivelmente não deve ter sentido muito. Inicialmente fomos morar em João Pessoa.

No início da década de 1960, João Pessoa era uma cidade de porte médio com características marcadamente provincianas. O centro da cidade concentrava grande parte das atividades políticas, comerciais e culturais. Áreas como a Praça João Pessoa, a Lagoa (Parque Solon de Lucena), e a Praça Antenor Navarro eram pontos centrais da vida urbana. A expansão urbana era limitada. Bairros como Tambaú e Cabo Branco ainda estavam em fase inicial de desenvolvimento e eram mais afastados do cotidiano da maioria da população.

Nossa primeira morada em João Pessoa ficava localizada no Bairro de Jaguaribe, na Rua Primeiro de Maio. Nos anos 60, o Bairro de Jaguaribe era um dos bairros mais tradicionais da cidade, com forte presença de famílias de classe média e classe trabalhadora. O nome da Rua Primeiro de Maio é uma homenagem ao Dia do Trabalhador.  A rua ainda tinha traços de cidade pequena: calçamento em paralelepípedo, calçadas largas, casas térreas com fachadas simples, muros baixos, e árvores nas calçadas.

Bem, a partir daí começou minha caminhada em solo Paraibano. Fomos morar na cidade de Umbuzeiro, Solânea, Monteiro, Sapé e novamente em João Pessoa. Depois de ter começado minha vida de trabalhador, morei novamente em Sapé e depois fui trabalhar em Sumé. Só que em fevereiro de 1987, finquei residência no Estado do Rio Grande do Norte.

A história nos mostra que no início da década de 1960, o Nordeste do Brasil vivia uma situação bastante difícil, marcada por profundas desigualdades sociais, econômicas e estruturais. A maioria da população nordestina vivia em condições precárias, com baixa renda, pouco acesso à saúde, educação e saneamento básico. A estrutura fundiária era altamente concentrada. Os latifundiários dominavam vastas extensões de terra, enquanto os trabalhadores rurais viviam em regimes quase de servidão, como os “moradores” e “meieiros”. Muitas pessoas começaram a migrar para o Sudeste, especialmente para São Paulo e Rio de Janeiro, em busca de melhores condições de vida. Esse movimento ficou conhecido como parte do êxodo nordestino. Foi nesse período que começaram a surgir no Nordeste as Ligas Camponesas.

As Ligas Camponesas foram organizações de trabalhadores rurais, principalmente assalariados e pequenos arrendatários, que surgiram com o objetivo de lutar por melhores condições de vida no campo, como: salários dignos, fim da exploração por parte dos grandes fazendeiros (latifundiários), acesso à terra (reforma agrária), educação e saúde no meio rural.

Apesar das primeiras ligas terem surgidas na década de 1950, na zona da mata de Pernambuco, uma região dominada por engenhos de cana-de-açúcar, elas começaram ter força no Estado da Paraíba no início da década no município de Sapé e no Brejo paraibano.

Mesmo com pouca idade, me lembro quando em 1964 quando estávamos viajando de ônibus de Umbuzeiro para João Pessoa, fomos parado na estrada por uma galera da liga camponesa da região. Todos os passageiros foram obrigados a descerem do ônibus mas depois deixaram que continuássemos a viagem.

No movimento militar de 1964 as Ligas Camponesas foram consideradas comunistas e subversivas. Seus líderes foram perseguidos, presos ou mortos. A repressão foi brutal, com assassinatos de camponeses e destruição de suas organizações.

Na verdade, desafios sempre fizeram parte da vida do nordestino. Porém, apesar das características climáticas da região, preconceitos e julgamentos infundados, condições socioeconômicas frequentemente desfavoráveis, falta de políticas públicas adequadas para desenvolvimento sustentável, o nordestino nunca perde a esperança e a fé e luta por dias melhores. São conhecidos por sua capacidade de superar obstáculos e de se reinventar.

A figura do nordestino começou a ser formada pela produção literária com personagens como: o cangaceiro, o jagunço, o coronel, o flagelado, o retirante, o beato, o romeiro. Estereótipos que ligam o nordestino com elementos de uma sociedade rural, atrasada, pobre, rústica, de relações sociais violentas e discriminatórias.

O modo de falar, os sotaques e as expressões regionais nordestinas são frequentemente alvo de chacota, mesmo sendo parte fundamental da riqueza cultural brasileira. Tenho certeza, quando o oxente e o bater um baba do baiano, o vote e o a migué do sergipano, bregueço e o gastura do cearense, o visse e o abestalhado do pernambucano, abilobado e o arribar do paraibano, o mangar e o peidado do alagoano, o triscar e o vai pra caxaprego do maranhense, moido e o ingembrado do piauiense, o eita píula e o bexiga taboca do potiguar forem vistos como riqueza cultural, o preconceito linguístico não terá mais vez.

Infelizmente com o aumento do uso das redes sociais, a discriminação ficou mais visível. Em período de eleições, por exemplo, nordestinos frequentemente são atacados por suas escolhas políticas, Como se fossem menos capazes de decidir por si mesmos. Dói o coração, a alma, a mente e o espírito, quando se ouve, se assiste, ataques ao povo, as culturas, aos sonhos, as ideias, as expressões, as esperanças e os sentimentos do povo do Nordeste do Brasil. Tais ataques partem de seres humanos ignorantes, que não conhecem e não vivem as belezas da vida.

A partir da década de 1930, mas principalmente entre as décadas de 1950 e 1980, milhões de nordestinos migraram para São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados do Sul e Sudeste do pais, em busca de trabalho e melhores condições de vida. Foi justamente os braços fortes dos nordestinos que ajudaram a erguer prédios, construção dos metrôs, pontes, viadutos e as grandes obras públicas nos Grandes Centros. Cada tijolo, cada calçada, cada fundação tem ali um pouco de Pernambuco, um pedaço da Paraíba, o sotaque do Ceará, o suor do Maranhão. Não tem como olhar para esses Grandes Centros e não enxergar a mão dos nordestinos. Mas, nem tudo foram flores. Muitos passaram a viver em favelas, cortiços e em condições precárias, enfrentando o preconceito, xenofobia e exclusão social. Foram chamados de “retirantes”, “pau-de-arara”, de “cabeças-chatas”, de “bicho do mato”, “terra seca”. Em São Paulo, por ter recebido fortes migrações da Bahia, todos os nordestinos da região passaram a ser taxados pejorativamente como “baianos” e no Rio de Janeiro, passaram a ser chamados de “paraíbas”. O preconceito era duro, mas não mais do que a vida que já conheciam.

Apesar de todo esse preconceito, em 08 de outubro de 2009, foi criada em São Paulo a data para celebrar o Dia do Nordestino, em homenagem ao centenário poeta e repentista cearense Patativa do Assaré. A lei 14.952/09 que instituiu a data em São Paulo, tinha como objetivo homenagear os nordestinos que vivem e contribuíram para a cidade. A data se espalhou por todo o Brasil, tornando-se um dia para celebrar a rica cultura e diversidade da região Nordeste.

Celebrar o Dia do Nordestino é comemorar a cultura de um povo forte e trabalhador, que, apesar das dificuldades, está sempre pronto para enfrentar os desafios com sabedoria e criatividade. Povo arretado, que não foge da luta, que respeita uma tradição e que vive numa região de mil encantos e paisagens.

Viver no Nordeste é habitar um lugar de tradições vivas, cores vibrantes, sotaques, ritmos contagiantes e sabores marcantes, onde a festa é parte do dia‑a‑dia e a história é contada em versos, danças e rituais.

Podemos afirmar que a região Nordeste do Brasil é uma terra abençoada por Deus. As praias nordestinas estão, sem dúvidas, entre as mais belas do Brasil e do mundo.

Aqui a riqueza humana é visível. Povo bom, acolhedor, resistente, sábio, seguem construindo uma cultura repleta de beleza. É a esperança que vence o medo em terras nordestinas.

Existem várias lendas, mitos, encantamentos, folclore, que fazem do Nordeste um lugar mágico no qual a utopia, os sonhos, as fantasias, a imaginação e as belezas da mente humana transformam o mundo em um lugar bom para ser vivido.

O jeito de falar, a oralidade, o modo de se comunicar, as expressões, os gestos, os olhares, de homens e mulheres do Nordeste brasileiro, são sinais de uma singularidade única. Singularidade esta que encanta o mundo.

A cultura do Nordeste apresenta características próprias herdadas da interação da cultura dos colonizadores portugueses, dos negros e dos índios.

As manifestações artísticas do nordestino são ricas e diversificadas, refletindo a história, a cultura e a identidade da região. Elas incluem diversas formas de expressão, como festas populares, danças, músicas, literatura, artesanato e culinária

A sua culinária é saborosa e variada. Será que existe um Nordestino que não gosta de um cuscuz com carne de sol, buchada de bode, feijão-verde, baião de dois, tapioca, acarajé, bobó de camarão, moqueca de peixe, sarapatel, sururu, macaxeira (aipim), pamonha e a canjica?  Como diz a música “É de Dar Água na Boca” composta por Nando Cordel e Amelinha.

Assim como a culinária, não podemos esquecer da enorme diversidade de frutas, como araçá, seriguela, manga, graviola, cajá, umbu, macaúba e buriti.

É uma terra de músicas e ritmos diferenciados como o forró (xaxado, baião, xote), frevo, maracatu, o brega. Falar sobre frevo, imediatamente nos faz lembrar do pernambucano porque o frevo é uma manifestação cultural enraizada em Pernambuco. O frevo domina o carnaval em Recife e Olinda, com suas orquestras de metais, multidões nas ruas e blocos como o famoso Galo da Madrugada.

Também existem os repentistas que são os cantadores que divulgam a poesia popular da cultura do Nordeste. Que criam músicas e vão pelas ruas cantando e tocando sobre sentimentos e costumes, sempre com o uso de gírias e expressões típicas.

Temos que exaltar a força da literatura nordestina pela sua autenticidade, resistência e na forma como expressa os sentimentos do povo nordestino com relação a seca, as desigualdades sociais, a fé, e a luta pela sobrevivência.

O Nordeste é o berço de Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Nelson Rodrigues, Graciliano Ramos, Ferreira Gullar, Gonçalves Dias, José de Alencar, Manuel Bandeira e Ariano Suassuna entre outros.

Não podemos esquecer da Literatura de Cordel. Ela combina poesia popular, oralidade, tradição regional e expressão artística de um jeito muito próprio. O cordel fala de causos do sertão, personagens populares, lendas, religião, política, amor, tragédias e até fatos do cotidiano. Tudo com o olhar crítico, bem-humorado ou poético do povo nordestino.

Como não falar do artesanato. O artesanato é uma importante fonte de renda e de manifestação cultural do Nordeste. Estamos falando redes de tear, rendas, crivo, artigos de couro, cerâmica, objetos de madeira, argila e frasco com imagens feitas de areia colorida.

Neste momento tenho que destacar as mulheres rendeiras. Me faz lembrar da música “Mulher rendeira” que tem origem popular e anônima, mas ficou nacionalmente conhecida através da figura de Lampião, o famoso líder do cangaço, onde dizia: “Olê, mulher rendeira. Olê, mulher renda. Tu me ensina a fazer renda. Que eu te ensino a namorar”. Elas representam não só uma tradição artesanal passada de geração em geração, mas também a força e resistência da mulher nordestina, que transforma fios e paciência em verdadeiras obras de arte. A renda de bilro, a renda renascença, a labirinto e outras técnicas são passadas de mãe para filha, garantindo a continuidade de um patrimônio imaterial brasileiro.

Em fim quero muito agradecer a Deus por me ter conduzido a vir morar neste querido Nordeste. Essa terra que me adotou e que eu tenho muito orgulho. Viver no Nordeste é dançar com o vento do sertão, sorrir com o calor do sol e se encantar com cada verso do coração.

Mesmo sabendo que não sou poeta nem cantador me arrisco a utilizar de algumas expressões do nordestino em um texto de humor:

“Eita píula. Tá com a moléstia. Esse galego boca de suvela que é um fi duma égua está voltando. Além de fuleiro gosta de mangar de todo mundo. Às vezes parece um abestalhado mas na verdade é muito de um cabra safado. Um afolozado. Mora onde o cão perdeu as botas, no quinto dos infernos. Na baixa da égua. Mas não deixa de vir aqui malamanhado para fazer marmotagem quando esta brocado ou chei dos pau. Sempre cria o maior balaio de gato. Só vem fazer pantim. Além de tudo é buliçoso.  Quero que ele vá para pra caixa prego. Dizem que ele é amancebado com uma catraia. Era uma biscaiteira. Ele tirou ela do beréu quando ela embuchou dele. O pior que menino que nasceu é cagado e cuspido a ele. Pense numa mulher cambão. As pernas são dois cambitos e um cu de novelo. Daqui algum tempo vai lhe colocar um chapéu de touro. Mas, apesar peidado, o filho do cabrunco é um cara arretado principalmente quando batemos um baba. Arenga o tempo todo. E é arrochado mesmo sendo batoré. Uma vez levou um murro que quebrou o pau da venta. Dessa vez ele se lascou. Na hora da briga peguei o beco. Bem, quem gaba o sapo é jia. Ó paí”.

Concluo lembrando de uma frase do poeta Guibson Medeiros; “Todo nordestino é brasileiro.  Mas nem todo brasileiro é nordestino”

Conduta

Em

27 de agosto de 2025
13 min de leitura

A Importância do Atributo Coerência

Não tenho dúvida que a coerência é uma característica ou um atributo extraordinário, muito valorizada e indispensável para conquistar a confiança da sociedade.  Lembro que quando era pequeno, devia ter 8 ou 9 anos, que tomei a decisão de torcer pelo Fluminense em vez de torcer pelo Vasco, que era time do meu pai, ou pelo Flamengo que era o time de minha mãe.

Algumas pessoas, podem interpretar que fui bastante “habilidoso” em escolher um time diferente dos meus pais, para não desagradá-los. Porém, chamo a minha decisão de ter sido coerente. São pequenos fatos de nossa infância que aprendemos desde pequenos a importância da coerência.

Coerência, do latim cohaerentia, é aquilo que tem relação entre uma coisa e outra. É um conceito que é usado se referindo a algo que é lógico. Tudo em nossa vida deve ter coerência. Pensamentos e suas ações têm de ter, necessariamente, sentido lógico, para que às coisas caminhem bem.

Quem é coerente é lógico, diz e faz com nexo, com ligação, de uma forma que será esperada e mantida no futuro, como uma promessa de ser o mesmo

Claro que este exemplo do futebol é um exemplo sem muita importância (a não ser para quem ama o esporte). Porém, é importante manter o princípio de identidade, de ser lógico em nossas afirmações. Ou seja, ser coerente é pensar, falar e agir de maneira que nossas ações sejam harmônicas, que nossas ações reflitam verdadeiramente quem somos.

As pessoas coerentes costumam gerar confiança nos demais, já que não mostram uma cara diferente da que sentem, nem se esforçam para fingir ou dissimular seu estado interno. Sabem ouvir o que elas sentem internamente e são capazes de aceitar, sem enganar a si ou aos demais.

Quantas vezes eu não ouvi meus pais dizerem que “antigamente as pessoas tinham palavra” e “o nosso contrato era a nossa palavra”.

Quem se propõe a escrever um texto, ou uma redação, deve ficar atento ao que se chama coerência textual. A falta de coerência afeta a significação do texto, prejudica a relação com o interlocutor, a continuidade dos sentidos e compreensão. A incoerência, que é o oposto da coerência, ocorre quando dentro do texto existem ideias que se contradizem.

Um ponto extremamente importante a ser tratado em relação a esse tema é que, para ser coerente, não precisamos nos manter pensando e agindo da mesma forma durante toda a sua vida. Melhor esclarecendo. Se você tomou uma decisão errada no passado e hoje sofre as consequências da decisão, porque não se permitir ser livre e mudar?

Um exemplo: imagine alguém que sempre sonhou em ser dentista. Disse isso publicamente para todos (o que aumenta a sua probabilidade de continuar mantendo a coerência). Porém, logo no primeiro ano, esta pessoa entende que não quer ser mais dentista. Dizer para todos que não quer ser mais dentista significaria ser incoerente. Como vimos, a sociedade não valoriza a incoerência.

O que quero mostrar apenas é que a coerência, principalmente a pública, faz com que sejamos vítimas fáceis da opinião alheia. É como colocar a possibilidade de decidir nas mãos dos outros.

Bem, quem não é considerado coerente é denominado incoerente. A incoerência, é um termo utilizado para descrever a falta de lógica ou consistência em um argumento, discurso ou ação. É quando há contradição entre as ideias ou informações apresentadas, gerando confusão e dificultando a compreensão do assunto em questão.

Em algum momento devemos ter ouvido o seguinte comentário “Você é muito incoerente! Fala uma coisa e faz outra. Ninguém te entende!”. Tem um ditado que os representa muito bem os incoerente, e que diz – “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Apesar de se falar muito nesse ditado popular, é impossível encontrar alguém que assuma ser assim. Em muitos casos, isto é desnecessário porque suas obras falam mais que suas palavras

Existe também uma expressão que diz “fulano é uma pessoa de palavra” e ela se refere a aqueles indivíduos que mantêm o que falam, pois o fazem com convicção, com base no que acreditam e em seus valores morais.

Já em relação aos incoerentes, as pessoas costumam dizer “o que fulano fala não se escreve”, ou seja, dificilmente cumprem o que prometem e, por isso, nunca são levados a sério.

O problema de ser incoerente reside principalmente na desconfiança que acabamos gerando nas outras pessoas. É difícil confiar em alguém que age de forma diferente do que pensa, e é muito difícil também confiar em alguém que se mostra de forma diferente do que realmente sente.

É desagradável termos ao nosso lado pessoas que dizem uma coisa hoje e, em outro dia, ao se referir ao mesmo tema, dizem outra completamente diferente. A incoerência gera desconfiança e enfraquece as relações, pois lança dúvidas entre a verdade e a mentira, o real e a ficção.

Quem é incoerente além de não cumprir o que planeja, desconhece o valor e o peso da sua palavra. Acredite, cada vez que sua palavra não é cumprida às pessoas vão perdendo a fé em você e sua credibilidade vai para o espaço.

Um exemplo claro da vida cotidiana, você está ensinando seu filho de que na mesa, durante as refeições, não podemos atender ao celular. De repente, no meio do jantar, seu telefone toca e você atende. Qual mensagem você acabou de passar para seu filho?

A coerência é um valor que se transmite com o exemplo. Os pais devem ser coerentes com o que dizem e fazem. Se existem contradições entre suas palavras e suas ações, eles estarão criando confusão e dificuldade no seio familiar. Na educação das crianças, o valor da coerência se entende como uma característica da autenticidade na vida.

Há muitas situações que acontecem na escola que poderiam ser evitadas, se os pais tivessem coerência em suas atitudes diante dos filhos.

Tomar muito cuidado para dar bom exemplo. A coerência nas próprias atitudes é muito importante, pois as crianças tendem a valorizá-las como boas quando veem isso nos adultos, com os quais tem compromisso afetivo.

É importante cultivar o sentido de justiça e de responsabilidade e deixar que as crianças formem seus próprios critérios. Responder às perguntas das crianças com argumentos racionais e não somente afetivos.

Não se pode ter falta de consenso entre os pais. Quando um pai diz “não” para algo, mas a mãe diz “sim”, a incoerência pode atrapalhar a aquisição de valores e conhecimentos por parte dos filhos.

O mais importante que às crianças devem entender para serem coerentes é que não se pode fazer o contrário do que se pensa ou se diz.

Seja no âmbito social, pessoal ou profissional, o mundo precisa cada vez mais de pessoas assim, que agem de acordo com o que dizem e que inspirem confiança. Ser coerente é ser honesto, consigo mesmo e com os outros. O mercado está cada vez mais em busca de profissionais coerentes, que vivem na prática todas as características que descrevem no currículo e na entrevista de emprego.

Inclusive, os recrutadores costumam fazer perguntas específicas para detectar aqueles candidatos que têm ideias e atitudes incoerentes e que estejam em desacordo com os valores da empresa.

Um comportamento coerente no trabalho se torna ainda mais necessário em cargos de gerência, em que o profissional irá liderar uma equipe de pessoas. Um líder que age de forma diferente daquilo que prega, além de estar dando um mau exemplo, poderá desmotivar o grupo, que não terá confiança nele e, também, se sentirá inferiorizado.

Se olharmos para o nosso cenário político e econômico atual perceberemos que a falta de coerência é o principal ou um dos mais relevantes motivos para a crise que vivemos atualmente.

Na política dos tempos atuais, o que vemos são incoerências gritantes, quase sempre movidas a interesses e disfarçadas com palavras bonitas. O que é dito durante os discursos de campanha para angariar votos é muito diferente das ações tomadas durante o mandato. Diferente de outrora, quando existiam homens públicos de posição firme, hoje o que se percebe é que a política virou tão somente um negócio.

A democracia é um sistema de transmissão de poder que se concretiza pela eleição de representantes. No entanto, é comum votar e logo perceber que alguns representantes eleitos atuam na contramão das necessidades e interesses da maioria daqueles que os elegeram.

A cada eleição, o povo brasileiro se mostra cansado, desiludido, inconformado. Alguns candidatos se aproveitam desses momentos,  para se apresentarem como “salvadores da pátria”, mas, depois de quatro anos, o que se constata são novas desilusões.

Os políticos, com algumas exceções, vendem a si mesmo e os seus princípios por poder, status, influência, dinheiro e outras coisas. Não há como negar que a maior parte dos discursos encampados pelos partidos políticos e seus candidatos é populista.

No nosso País, tornou-se comum partidos políticos com ideologias e programas completamente antagônicos acabarem se juntando. Não é incomum se deparar com agremiações com um programa partidário esquerda coligados a partidos com programa partidário conservador (ou vice versa), por exemplo.

O que temos visto na política é uma verdadeira degradação ética e moral. O sujeito combate um modelo de gestão hoje, mas amanhã se abraça a ele.

A única coisa que pode derrubar o Brasil, é a ignorância da nossa elite política, se ela persistir por muito tempo ela pode derrubar o Brasil, mas eu acredito que não vá acontecer. Afinal, até para a burrice há limites! E essa é a beleza da democracia.

Não podemos esquecer, dentro desse contexto de coerência ou incoerência, das lideranças religiosas que têm um compromisso inegociável com o bem-estar comum e com a prosperidade de todos. O Brasil é um país laico e, por isso, tem como princípio a imparcialidade em assuntos religiosos, sem discriminar nenhuma das crenças.

Por exemplo, um Cristão que defende a humildade, mas, briga por cargo maior. Cristão que se diz “cheio do Espírito Santo”, mas, não perde oportunidade para se descontrolar. Cristão que condena a arrogância, mas, pela graduação que possui, considera o “desgraduado” um inferior; gente que condena a vaidade, mas, não perde uma chance de chamar a atenção com vestes extravagantes. Bem, talvez não tenham lido com atenção o que Cristo nos ensinou em Mateus 23:1-11: “Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles dizem a vocês. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los”. Em resumo, são incoerente.

A coerência exigida para os cristãos, principalmente líderes, é que suas atitudes estejam de acordo com os princípios encontrados na Palavra de Deus (sem acrescentar, modificar, nem tirar coisa alguma). Quando nossas atitudes na igreja, no trabalho, na família, na escola, enfim, na sociedade, não estão de acordo com estes enunciados, Somos incoerentes! Jesus chamava de hipócritas!

Em várias sociedades, a religião chegou a ser mais importante do que o próprio Estado, até mesmo se confundindo com ele. O resultado foram numerosas perseguições, massacres e guerras sangrentas sob o pretexto da fé.

Não podemos esquecer das incoerência da Igreja Católica no começo do século XVI. Alguns princípios teológicos praticados pela Igreja provocaram a insatisfação do monge alemão Martinho Lutero, como por exemplo a venda de indulgências. Lutero também criticava a venda de cargos eclesiásticos e a venda de relíquias sagradas, ambas conhecidas como simonia.

Ainda que haja coerência intelectual nos argumentos que utilizamos para dizer que conhecemos a Deus, somos incoerentes quando não andamos sobre as palavras daquele que chamamos de Senhor.

A bíblia relata que nenhuma outra coisa provocou mais a ira do Messias do que os hipócritas religiosos de sua época (incoerência nas ações).

Papa Francisco em 23/02/2017, durante um sermão improvisado em missa privada matinal em casa, disse: “É um escândalo dizer uma coisa e fazer outra. Isto é uma vida dupla”.

Sabemos que não é fácil alinhar valores, princípios e condutas. É preciso querer se aperfeiçoar constantemente, sair do piloto automático, mudar hábitos ruins e melhorar a comunicação, para que os nossos pensamentos, falas e ações sejam coerentes. A mudança de ideias e atitudes faz parte do processo de evolução humana, então, permitamos se transformar e buscar ser uma pessoa melhor a cada dia.

Enfim, entendo que devemos procurar sempre viver em harmonia com o que pensamos, sentimos e acreditamos. Sendo coerentes em nossas atitudes, ideias e ideais, contribuiremos assim para o bom relacionamento familiar, social ou profissional. Isso nos dará o suporte para conquistar os nossos objetivos, inspirar confiança e ser mais feliz.

Concluímos lembrando de uma fábula sobre a coerência: Uma raposa era perseguida por caçadores, quando viu um lenhador e suplicou-lhe que a escondesse. O homem permitiu que ela entrasse em sua cabana. Logo chegaram os caçadores e perguntaram ao lenhador se havia visto a raposa. Com a voz ele disse que não, mas com sua mão, disfarçadamente, ele apontava aonde ela havia se escondido.

Sem compreender os sinais do lenhador, os caçadores confiaram apenas no que ele dissera e se foram. Assim que a raposa os viu ir embora, saiu da casa, sem nada dizer. O lenhador a reprovou por ter saído sem agradecer, já que ele a salvara. Ao que a raposa respondeu: “Eu te seria eternamente grata se as tuas mãos e a tua boca tivessem dito o mesmo”.

Segundo o filósofo Bertrand Arthur William Russell, nascido no País de Gales temos dois tipos de moralidade: uma que pregamos, mas não praticamos, e outra que praticamos, mas raramente pregamos.

Conduta

Em

30 de julho de 2025
11 min de leitura

Escrevemos nosso nome em apenas alguns segundos, mas para construí-lo levamos a vida toda

Se pararmos para pensar sobre todas às coisas que de alguma forma escolhemos na vida, tais como: religião, profissão, clube de futebol, parceira matrimonial, amigos, instituições, etc., podemos lembrar que o nosso nome e sobrenome, que ganhamos antes mesmo de nascer e carregamos para depois de nossa morte, não fomos nós que escolhemos. Porém, situações envolvendo nome e sobrenome sempre afetam a nossa personalidade, seja positivamente ou negativamente. Podemos dizer que o nome é a primeira referência de um ser humano. É o que antecipa, precede e aparece anunciando a pessoa, é o que identifica e torna conhecido o ser humano. Não tenhamos dúvida que o nosso nome é importante para nossa dignidade e cidadania.

O que responderíamos se alguém nos perguntasse se gostamos do nosso nome? Muitas pessoas vão responder com um sonoro NÃO!  Na verdade muitas pessoas não se sentem bem com os nomes que foram escolhidos no registro de nascimento.

Os brasileiros já são conhecidos pela criatividade e com os nomes das crianças que nascem aqui não seria diferente. Seja por excesso de imaginação, erros de digitação, combinações inusitadas ou ruídos de comunicação, o país acabou por reunir uma série de nomes que são, no mínimo, originais. Alguns exemplos: Agrícola Beterraba Areia, Amin Amou Amado, Aricléia Café Chá, Chevrolet da Silva Ford, Restos Mortais de Catarina, Remédio Amargo, Otávio Bundasseca, Maria-você-me-mata, Janeiro Fevereiro de Março Abril,etc. A relação é bastante longa.

Lembrando que, um dos fundamentos do direito civil, a dignidade da pessoa, é um dos principais motivos para a solicitação da mudança de nome ou sobrenome.

O Brasil, adota o princípio da Imutabilidade, relativa do nome, ou seja, o nome pode ser modificado em casos previstos na lei ou por decisão judicial. Isto porque entende-se que este deve ser escolhido pelo titular, mas todos sabemos que não é bem assim que funciona. São nossos pais ou responsáveis que, no momento do registro de nascimento, escolhem nosso nome.

Algumas situações a Justiça brasileira permite a alteração do nome, podemos citar como exemplos: a correção de erros de grafia (letras trocadas ou repetidas; alteração de nome para indivíduos transexuais, nomes inusitados feita pelos pais, que pode acarretar transtornos no âmbito moral para vida de um indivíduo, nomes que expõem as pessoas ao ridículo, ao vexame, constrangimento ou que seja exótico.

Em Portugal, alguns nomes que são comuns no Brasil, são proibidos de serem colocados nos bebês, se tiverem algumas modificações. Por exemplo, Thiago, é recusado em Portugal, pois a letra “h” não tem valor fonético na língua portuguesa e é considerada uma grafia estrangeira, A forma aceita é Tiago. Outro exemplo é Izabella. A grafia “z” e o uso “ll” são considerados estrangeiros. Todavia Isabela é permitido usar. Também não é aceito Matheus, com “th”.

A fim de evitar que as pessoas passem por situações vexatórias, alguns nomes são impedidos por lei de serem registrados em alguns países. Adolf Hitler é proibido, por exemplo na Alemanha e Portugal, por motivos históricos.  Nenhuma Sarah é registrada no Marrocos. Pela cultura local, a presença da letra H ao fim do nome dá a ele um aspecto hebraico, o que não é permitido no país.

Mas todo mundo precisa, além do nome, de um sobrenome. Segundo alguns pesquisadores, temos de agradecer aos romanos por isso. Foi esse povo, que há mais de dois mil anos ergueu um império com a conquista de boa parte das terras banhadas pelo Mediterrâneo, o inventor da moda. Eles tiveram a ideia de juntar ao nome comum, ou prenome (do latim praenomen), um nome (ou nomen), tendo em vista que o Império Romano crescia e eles precisavam indicar o clã a que a pessoa pertencia ou o lugar onde tinha nascido. Com a decadência do Império Romano, essa prática foi se enfraquecendo até que, na Idade Média, os sobrenomes caíram em desuso e às pessoas passaram a ser chamadas apenas pelo seu prenome. Somente no século 11 que os sobrenomes voltaram a ser usados e passaram a ser obrigatórios.

No entanto, o primeiro grande passo em direção a um sistema de sobrenomes de massa se deu por uma disposição do Concílio de Trento (1564), que tornava imutável, obrigatório e transmissível o sobrenome. Isso para facilitar a cobrança de impostos, mas principalmente para evitar casamentos e uniões entre consanguíneos. Como poderia repassar uma propriedade a um herdeiro sem que sua descendência fosse comprovada?

Novamente, os sobrenomes não foram inventados do nada. Os homens passaram a escolher sobrenomes que tinham a ver com seu lugar de nascimento ou moradia. Alguns portugueses ganharam o sobrenome de Coimbra, Lisboa, Resende ou Alcântara (cidades do país). Um sobrenome poderia também ser originado através de questões de natureza geográfica.  Nesse caso, o “João da Rocha” teve o seu nome criado pelo fato de morar em uma região cheia de pedregulhos ou morar próximo de um grande rochedo. O sobrenome Fernandes, ou por exemplo, significa ‘filho do Fernando’. Outros escolheram sobrenomes que se referiam a características físicas e de personalidade, como Louro, Calvo e Severo. Também tiveram; houve aqueles que adotaram sobrenomes ligados a atividades desenvolvidas pela família, como é o caso de Ferreira que, provavelmente, é uma referência à profissão de ferreiro.

Outros estudiosos do assunto também acreditam que alguns sobrenomes apareceram por conta da fama de um único sujeito. Sobrenomes como “Severo”, “Franco” ou “Ligeiro” foram criados a partir da fama de alguém que fizesse jus à qualidade relacionada a esses adjetivos. Sem dúvida, muitas pessoas já tiveram a oportunidade de desenvolver um diálogo como esses: “Ei! você conhece o fulano?”; “Que fulano?”; “Fulano de Sousa, Guimarães ou Rocha?”.

Lembramos que antigamente, era costume os filhos serem registrados apenas com o sobrenome paterno. O meu pai foi um exemplo disso, todavia o que pude historiar, parece que foi esquecimento do meu avô.

Temos um terceiro elemento que faz parte, do dueto nome e sobrenome. Chama-se “Apelido”. Etimologicamente falando, apelido vem do latin, appelitare, colocar pêlo sobre algo. Apelido significa por sinonímia, alcunha – denominação ou qualificativo. Não se sabe ao certo quando surgiram, mas acredita-se que existam há centenas de anos. Possivelmente, estão ligados à origem dos sobrenomes. No passado, eram os apelidos que ajudavam a diferenciar o nome das pessoas. Havia os que recebiam um apelido por causa da profissão, como por exemplo, Barbeiro. Um lenhador podia ser chamado de Pinheiro e um caçador de Raposo ou Lobo. Na França, eram comuns nomes como Fritier, que significa vendedor de peixe frito.

A característica física e a personalidade eram outras formas de nomear. O rei Pepino, o Breve, que governou os francos dos anos 751 a 768, era baixinho; por isso, o apelido. Ricardo I, que reinou na Inglaterra no século 12, foi chamado de Coração de Leão, pois era considerado muito corajoso.

Para os portugueses e espanhóis, a palavra apelido é o que no Brasil chamamos de sobrenome.

No Brasil é comum chamar as pessoas com apelidos. Esse é mais um costume herdado da escravidão. As relações familiares dos escravos não eram reconhecidas pela lei. O casamento, o pátrio poder eram institutos exclusivo da população branca. Assim, não havia nome de família para escravos. Não havia uma regra explícita para se colocar os nomes nos escravos. O senhor colocava formalmente um nome português, quase sempre em homenagem a um santo de devoção, ou o santo do dia do nascimento. Mas eles eram conhecidos na comunidade pelos nomes que as mães lhes davam. Era muito comum que as pessoas se referissem aos negros como o “negro José”, o “negro Antônio”, para distinguir do nome de outro José ou outro Antônio

Outro fato interessante era realmente mais comum antigamente às pessoas serem chamadas por apelidos do que hoje no Brasil. Você, muita vez, conhecia a pessoa pelo apelido: Mazzaropi, por exemplo, era um cara que tinha a cara de caipira de queixo grande, Braço de manivela, Pelezinho, Careca, Cabeleira, Magrão, Galego, Boneco da Michelan, Vassourinha, etc. O gozado era que a gente não sabia o nome de certidão de nascimento. Já o hipocorístico é uma forma carinhosa de apelidar as pessoas: Nanda (Fernanda), Bastinho (Sebastião), Bia (de Beatriz), Leninha (Helena), Quinzinho (Joaquim), Bel (Isabel), Betinho (Roberto, Adalberto).

Nos países de língua espanhola em geral, Francisco tem o apelido de Paco ou Paquito. Chico, em espanhol, significa pequeno.

Infelizmente, praticamente todas as pessoas já receberam, pelo menos uma vez na vida, algum tipo de apelido, esses podem ter origem na família, no trabalho, porém o lugar onde mais acontece é na escola. Reconhecido popularmente como brincadeira de criança, o apelido circula em todos os ambientes onde existem relações humanas, na família, na escola, na rua, nos ambientes de trabalho, nos clubes, nos grupos de amigos e em muitos outros meios.

Geralmente nas escolas, os apelidos surgem nos primeiros contatos, especialmente quando entra um aluno novo oriundo de outra cidade, estado que apresentam características distintas como o modo de falar, o que gera piadinhas e situações constrangedoras.

É preciso tomar muito cuidado ao criar apelido para alguém. Quando está ligado às características físicas, por exemplo, pode ser bullying (conjunto de agressões repetitivas que humilham e magoam). Bullying é uma expressão inglesa usada para designar atitudes de violência de caráter físico ou psicológico, de forma intencional e repetitiva, geralmente o ato é executado pelo “valentão” ou um grupo que tem como intuito agredir outra pessoa.
Os casos de bullying começam muito mais silenciosos e, por isso, são mais graves. Quem sofre a agressão não conta nem na escola nem na família, mas começa a mudar o comportamento, como por exemplo: queda no rendimento escolar, faltas na escola, e inclusive isolamento.

É importante os pais conversarem com seus filhos para saber se está dando apelidos pros colegas. Pergunte pra ele se o colega gosta do apelido. Dê algum exemplo pra fazê-lo exercitar a empatia, colocar-se no lugar do outro, todos os pais deveriam fazer isso.

Um em cada dez estudantes brasileiros é vítima de bullying – anglicismo que se refere a atos de intimidação e violência física ou psicológica, geralmente em ambiente escolar.

Entre o consentimento e o não consentimento em receber o apelido existe uma linha tênue que torna esta forma de tratamento repleta de indefinições nos sentimentos de quem recebe o apelido.

O bullying não é caracterizado pela frequência, mas pela covardia. Os agressores escolhem pessoas que dificilmente revidarão. Brincadeira em que só você pode rir, ou que o outro nunca terá a chance de dar o troco não é brincadeira. É bullying.

Sensações de mal-estar ocorrem quando o apelido vem carregado de sentido pejorativo, torpe, depreciativo com a intenção de desprezar, desvalorizar, menosprezar, desdenhar, zombar, ridicularizar, rebaixar o apelidado. Se acatado pelo grupo, seus efeitos se agigantam exponencialmente.

Nunca podemos esquecer que o apelido pejorativo caracteriza alguém, descaracterizando-o. O apelido pejorativo fere, magoa e humilha.

Dentro desse contexto entendemos que é importante chamar as pessoas pelo nome e não pelo apelido. Apesar de ser um gesto simples, chamar alguém pelo nome é algo muito poderoso, pois faz com que as pessoas se sintam bem e valorizadas pelo outro. Essa, nada mais é do que uma maneira de demonstrar ao interlocutor que ele é único e que você se importa.

Um nome não serve apenas para que se distinga um elemento dos demais. É, acima de tudo, um traço de identidade, de individualidade, de unicidade.

Finalizamos lembrando de uma frase de Diego C. Maia:  “Escrevemos nosso nome em apenas alguns segundos, mas para construí-lo levamos a vida toda”.

Conquistas

Em

26 de junho de 2025
10 min de leitura

Como é bom ter conquistado o direito da aposentadoria!

Durante a história da humanidade, várias descobertas e invenções mudaram a vida do ser humano por proporcionarem maior conforto, qualidade de vida e diversão.

Se começarmos antes de Cristo, podemos lembrar do fogo, da roda e da escrita. A partir do século 1 podemos considerar a bússola, importante objeto para as navegações, a eletricidade (1750), o automóvel, pilha elétrica (1800), criação da câmara escura em 1826 (máquina fotográfica), a geladeira (1834), o telefone (1876), lâmpada (1879), o rádio (1895), a televisão em 1927 (forma de televisão que conhecemos hoje), o ar-condicionado (1902), o avião (1903), o computador.  Em fevereiro de 1946, o primeiro computador eletrônico da história era apresentado. O ENIAC (Eletronic Numerical Integrator and Computer) tinha cerca de dois metros de altura, pesava 30 toneladas e ocupava 180 metros quadrados. A partir desta invenção, a computação e os aparelhos evoluíram e os modelos se tornam cada vez mais compactos e poderosos que conhecemos nos dias atuais. Bem, vamos incluir também os celulares que passaram englobar a maioria das invenções num único aparelho. Não podemos esquecer da Internet (1960). A lista é grande.

Todavia, lembrando de um ensinamento de Jesus Cristo e dando outro significado, podemos dizer que nem só de descobertas e invenções vive o ser humano. Ele precisa trabalhar porém com condições de trabalho, remuneração e benefícios que garantam segurança e qualidade de vida. 

Dentro desse contexto, podemos citar algumas conquistas ocorridas principalmente no século XX, que mudaram a qualidade e condição de vida dos trabalhadores. Podemos citar, por exemplo: licença-maternidade e licença paternidade, férias de 30 dias com acréscimos de 1/3 do salário, 13º salário, descanso semanal remunerado, adicional noturno, horas extras, vale-transporte, condições seguras e saudáveis nos ambientes de trabalho, aposentadoria e outros mais.

Muita gente não sabe, mas a maioria dos direitos trabalhistas brasileiros foram conquistados a partir de muita luta e mobilização dos trabalhadores. Isso significa que muito do que temos hoje é consequência da coragem dos trabalhadores do passado em pleitear condições mais justas – nossos pais, avós e bisavós que foram às ruas, mobilizaram políticos e promoveram manifestações em defesa de mais direitos. Mesmo não sendo vistos de bons olhos por muitos e principalmente por empresários, o movimento sindical no passado foi responsável pela criação de regras que beneficiam milhões de brasileiros no presente.

O filósofo italiano Norberto Bobbio afirmava: “Direitos não são dados, são conquistados”. Assim sendo, temos que ter a consciência que os direitos trabalhistas não são “concessões ou favores dos patrões”, e sim consequência. Sempre haverá muitos empregadores e políticos interessados em retirar direitos para aumentar seus lucros.

O grego Heródoto (484-425 a.C.) conhecido como o “Pai da História” por ter sido o primeiro grego a escrever uma obra objetiva sobre eventos históricos, disse que é preciso pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro. Então voltando ao passado, relembramos que a origem do sindicalismo envolve o contexto de industrialização e consolidação do capitalismo na Europa. Os sindicatos, foram fundamentais para construção e afirmação do direito do trabalho, principalmente a partir da Revolução Industrial, época marcada pelas péssimas condições de vida e de trabalho, as quais a população europeia em sua maioria estava submetida. No decorrer de sua história, o sindicalismo foi impactado por diferentes concepções ideológicas..

A organização sindical no Brasil teve início após a abolição da escravatura, com a chegada dos imigrantes para substituir a mão de obra escrava.

As primeiras associações de resistência surgidas no final do século XIX, foram se transformando em sindicatos nos primeiros anos do século XX, por volta de 1906 e legalizadas por Getúlio Vargas em 1931.

As principais greves operárias ocorridas no Brasil durante a Primeira República tiveram como motivos a luta pelo aumento salarial, melhores condições de trabalho, melhores condições de vida (alimentação, moradia), por uma legislação previdenciária, direitos trabalhistas e sindicais.

No ano de 1907, existiam aproximadamente 150 mil operários. A grande maioria estava distribuída nas indústrias, mas existiam trabalhadores das ferrovias (ferroviários), trabalhadores da construção civil (serventes, pedreiros, carpinteiros), os portuários e outras profissões, como padeiros, sapateiros, trabalhadores dos comércios, entre outros.

A principal paralisação operária nessa época, foi a greve geral de 1917, iniciada em São Paulo, após a morte de um jovem trabalhador pela polícia. A greve se generalizou por todo o país e ocorreram na capital paulista vários conflitos e tiroteios por vários dias. Dessa greve participaram os operários da indústria têxtil e alimentícia, os ferroviários e os gráficos. Os ferroviários não hesitavam em exercitar o poder de paralisar o Brasil, isto já ocorria desde 1906. Praticamente não passou ano sem que se registrasse paralisação em estradas de ferro.

As reivindicações dos trabalhadores nos protestos de 1917 eram, em termos gerais, jornada de oito horas, fim do trabalho de crianças, restrições à contratação de mulheres e adolescentes, segurança no trabalho, aumento salarial, redução do preço dos aluguéis e do custo dos bens de consumo básicos, direito a aposentadoria, etc. As greves no ano 1917 tiveram um papel basilar para o desenvolvimento posterior do movimento operário e das lutas trabalhistas no Brasil.

Voltando as conquistas trabalhista, na minha opinião, a maior conquista que tivemos foi a “aposentadoria”. Vou um pouco mais longe, acredito que dentre os benefícios da previdência social administrados pelo INSS, o mais desejado é a aposentadoria.

Para escrever sobre aposentadoria temos que ir para o início do século passado, quando ainda não existia esse direito no Brasil. Não havia previdência social no país, nem lei que garantisse aposentadorias às pessoas inativas.

Até o começo dos anos vinte do último século, se uma pessoa deixasse de trabalhar, mesmo depois de uma vida de labuta, não tinha direito a um salário de aposentadoria.

Nessa época, o Brasil dependia fortemente das estradas de ferro, permitiu que essa dependência desse força às greves dos ferroviários. Eles conseguiam parar o país. Nos tempo atuais, quem consegue paralisar o Brasil são os caminhoneiros. Na Primeira República esse poder era dos ferroviários.

Uma das reivindicações da categoria nos protestos de 1917 era o direito à Aposentadoria. Como resultado, tivemos à promulgação da Lei Eloy Chaves, em 1923, voltada para os ferroviários do setor privado. A Lei obrigava as companhias ferroviárias do país a criar uma caixa de aposentadorias e pensões (CAP).

Quando apresentou o projeto, Chaves afirmou que objetivava acabar com a áspera luta de classes: “Até agora, os funcionários das ferrovias do país não têm nenhuma garantia para seus dias de velhice e para arrimo de sua família em caso de morte”. Infelizmente até meados da década de 1920, somente os trabalhadores ferroviários e alguns servidores públicos tinham direito a esse benefício. Apesar de ser voltada somente para uma categoria profissional, a lei foi o embrião para o estabelecimento da aposentadoria no país.

O primeiro aposentado no Brasil, após a vigência da Lei Eloy Chaves, foi Bernardo Gonçalves, chefe de Estação da Repartição de Transportes da São Paulo Railway Company, em Piritiba (SP).

Foi na década de 1930 que houve a expansão para outras categorias. Somente em 1966 é que foi criado o então Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) que unificava o sistema previdenciário de todas as categorias e empresas.

Temos sempre que comemorar essa conquista. Oficialmente, o Dia Nacional dos Aposentados, é comemorado em 24 de janeiro, foi estabelecido pela Lei n° 6.926, de 1981. É uma data de reconhecimento e valorização. Momento para refletir sobre a valorização, o respeito e a trajetória dessas pessoas.

Graças a Deus, consegui consolidar esse direito no dia 25 de julho de 2017, antes da Reforma da Previdência.

Primeiramente quero lembrar que ninguém dorme trabalhador e acorda aposentado. Pelo contrário. Todo mundo sabe que, mais cedo ou mais tarde, vai passar por isso. Para muitos os primeiros meses de aposentadoria são por vezes sinônimo de uma verdadeira crise existencial. “Pode ser um momento bastante dramático.”

Em geral, a aposentadoria é muito desejada, mas pouco planejada. Todo mundo planeja passar no vestibular, se casar, ter filhos, ingressar no mercado de trabalho, etc., mas ninguém se prepara para a aposentadoria. Assim como o jovem pensa que nunca vai envelhecer, o trabalhador acha que nunca vai se aposentar.

Preparar-se financeiramente para quando a aposentadoria, realmente é muito complicado, principalmente para muitos que o dinheiro que ganha não dá nem para sobrevivência. Mas, para aqueles que têm condições financeiras um pouco privilegiada, o ideal é o trabalhador colocar isso como prioridade.

Chegou a hora de se aposentar e será que temos consciência como iremos ocupar nosso tempo nessa nova fase da vida? Para quem tem uma rotina corrida e com muito trabalho, se aposentar é uma grande mudança.

Esse pode ser um bom momento para ficar mais perto da família. Nem sempre temos tempo enquanto estamos trabalhando para estar próximos da família.

Cuidar da sua vida social. Teremos mais tempo de se reaproximar dos amigos e até cultivar as nossas amizades. É hora de fazer novos amigos.

Vai ser ainda mais divertido sair para programas culturais, para comer ou para passear por aí. Até conhecer o mundo. Quando falamos de mundo, pode ser outro país ou as cidades próximas de onde você mora. Não importa se é perto ou longe, mas viajar pode ser uma ótima forma de sair da rotina, aprender coisas novas, conhecer pessoas e mudar de ares.

Quem sabe, ajudar o próximo com trabalho voluntário. Uma ótima maneira de se manter ativo.

Na verdade, essa é uma fase para aproveitar a vida. Seja realizando sonhos, aprendendo novas habilidades, conhecendo pessoas, aprendendo uma nova língua, aprendendo um instrumento musical ou dedicando-se mais ao instrumento que já domina, dedicando-se a leitura, praticando mais exercícios físicos, vivenciando mais a religiosidade, etc.

Não devemos esquecer de cuidar de nós mesmos. Devemos aproveitar o tempo para ter momentos tranquilos e para ter boas noites de sono. Relaxar também faz parte.

Infelizmente, sabemos que muita gente se aposenta de direito mas não de fato, pois não consegue viver da aposentadoria. Para complementar a renda familiar se faz necessário voltar a trabalhar seja como empregado ou como empreendedor. Essas pessoas, infelizmente ainda não conseguem gozar desta tão sonhada conquista. 

De qualquer forma, para quem se aposenta e não volta ao mercado de trabalho, aposentar-se pode ser bom ou ruim, isso depende de cada um. O que não devemos é transformar nossa vida num ‘grande domingo que nunca acaba.

Finalizo, escrevendo com muita alegria a minha gratidão a Deus, que me permitiu em 25 de julho de 2017 ter conquistado esse direito de aposentar e conseguir viver da melhor forma possível.

Viva os trabalhadores que deram suas vidas pela República Federativa do Brasil e hoje são aposentados.

Energia

Em

27 de maio de 2025
10 min de leitura

SOPRO DA VIDA

Em nosso querido Brasil, graças a nossa democracia, de dois em dois anos temos eleições que movimentam o país. Nos meses que antecedem as eleições, candidatos políticos intensificam suas aparições em público, na tentativa de conquistar os leitores ainda indecisos. Infelizmente, falar bem em público, persuadir e reter a atenção não são habilidades para todos políticos, tanto em campanha quanto depois de eleitos. Aristóteles, o famoso filósofo grego, identificou três modos de persuasão, que são os pilares da oratória: a credibilidade do orador (Ethos), ou seja, a imagem que ele transmite e está relacionado com a autoridade, honestidade e reputação do orador; a emoção despertada na plateia, ou seja, a capacidade de conectar-se emocionalmente com o público (Pathos) e a validade do argumento, ou seja, a lógica da mensagem apresentada (Logos).

O grande perigo dos candidatos e políticos são os improvisos e as entrevistas, não planejadas. Todavia alguns cometem erros em palavras pensadas e escritas em suas falas.

Esse ponto me fez lembrar de uma ex-presidente da república, que sempre se envolvia em polêmicas, durante seus discursos. Uma das grandes frases da presidenta que agitou as redes sociais ocorreu quando sugeriu, durante discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), a invenção de uma tecnologia para estocar vento, que beneficiaria o mundo inteiro. Suas palavras: “Até agora, a energia hidrelétrica é a mais barata, em termos do que ela dura com a manutenção e também pelo fato da água ser gratuita e da gente poder estocar. O vento podia ser isso também, mas você não conseguiu ainda tecnologia para estocar vento. Então, se a contribuição dos outros países, vamos supor que seja desenvolver uma tecnologia que seja capaz de na eólica estocar, ter uma forma de você estocar, porque o vento ele é diferente em horas do dia. Então, vamos supor que vente mais à noite, como eu faria para estocar isso?”

A frase virou meme. Fotografias de um homem com um ventilador enchendo sacolas plásticas de vento foram compartilhadas na internet, assim como montagens com o rosto da presidenta em pacotes de salgadinhos “de ar” e em porções de pastel de vento. A brincadeira “viralizou”.

Na verdade, não se trata de guardar ou estocar o vento, mas armazenar a energia eólica, que é um tipo de energia cinética gerada a partir da força dos ventos (fluxo ou movimento do ar), que é convertida em eletricidade por meio de turbinas eólicas, também conhecidas como aerogeradores, que aciona as hélices e, por meio de um gerador, converte essa energia mecânica em energia elétrica. Relembrando a Lei da Conservação da Energia do químico Antoine-Laurent de Lavoisier, que diz: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

A energia elétrica pode ser facilmente gerada nos aerogeradores, transmitida e transformada. Porém, até agora não foi possível armazená-la de forma prática, fácil e barata.

Deixando a polêmica e gozações de lado, o “vento” sempre foi alvo de controversa de ódio e amor, mistério e assombro, a ponto de ser venerado por algumas sociedades antigas. Atualmente o armazenamento de energia eólica, assim como o armazenamento de energia solar é um assunto que está sendo levado a sério, por engenheiros e cientistas de todo o mundo.

A energia eólica, é conhecida pelo homem há mais de 3.000 anos. A história da energia eólica começa quando civilizações utilizavam a força dos ventos, por meio de cata-ventos, para moer grãos, bombear água e transportar mercadorias em barcos a vela. O início da adaptação dos cata-ventos para geração de energia elétrica teve início no final do século XIX.

Dos gregos ou fenícios aos vikings, todas as civilizações aperfeiçoaram sua própria frota para explorar o mundo graças a um aprendizado contínuo do vento como um recurso natural. Sua potência também tornou possível a movimentação de moinhos de vento, inicialmente para moer trigo e produzir alimentos.

O vento impulsionou a realização das grandes viagens de exploração da Era dos Descobrimentos e as grandes viagens marítimas pelos oceanos a partir do século XV.

O vento sempre esteve presente em nossas vidas e representou uma parte indiscutível da história da humanidade. Podemos afirmar que é um elemento essencial para o ciclo de vida dos animais, plantas e seres humanos.

Ele transporta as folhas das árvores e renova a vida no campo. Auxilia o crescimento das plantas, polinizando flores e transportando sementes para longe. Muitas plantas, como o epilóbio-eriçado, dependem da ação do vento para propagar as suas sementes.

O vento ajuda a distribuir nutrientes pelo solo, e a controlar a temperatura, mantendo um equilíbrio natural no ecossistema. É capaz de transportar ao longo de grandes distâncias a poeira dos grandes desertos e as sementes de várias plantas, o que é fundamental para a sobrevivência de algumas espécies e das populações de insetos. Muitos insetos e aves migratórias tiram partido do vento nas rotas de migração, o que lhes permite percorrer distâncias consideráveis de outras formas impossíveis. As aves tiram partido das condições do vento de modo a voar ou planar.

O vento é um elemento fundamental em vários desportos de competição ou atividades de lazer, como a vela, windsurf, kitesurf parapente, snowkite, asa-delta, balonismo ou o lançamento de papagaios de papel. Todavia, ventos de forte intensidade podem provocar estragos de natureza variável.

O vento influência a propagação de incêndios florestais. Durante o dia, a menor humidade, a maior temperatura e a maior velocidade do vento fazem com que a madeira arda a maior velocidade. O vento também pode limitar o crescimento das árvores. Em regiões costeiras e montanhas isoladas, a linha de árvores encontra-se muitas vezes a uma altitude muito inferior do que em sistemas montanhosos complexos, devido à maior exposição aos ventos fortes. Os ventos de altitude erodem o solo pouco espesso e causam estragos nos ramos e galhos das árvores. Quando associado a baixas temperaturas, o vento tem um impacto negativo no gado, afetando as reservas alimentares e as estratégias de caça e defesa dos animais.

Dentre os quatro elementos da natureza, o Ar, é talvez o elemento mais percebido, identificado e de maior contato diário do ser humano, através simplesmente da respiração.  O Ar simboliza o sopro da vida e está associado ao início de tudo, ao intelecto humano, aos processos mentais, a intenção e a capacidade criativa do homem.  Deus, ao criar Adão, o primeiro homem, após formar o seu corpo do pó do solo, soprou sobre ele um “sopro de vida”, surgindo assim o ser humano completo, corpo e alma (Gênesis 2:7).

O vento é um elemento presente em diversas passagens da Bíblia e possui diferentes significados simbólicos. Na Bíblia, o vento é frequentemente associado à ação de Deus e ao seu poder. Ele é mencionado em diversas passagens, como no livro de Gênesis, onde o Espírito de Deus pairava sobre as águas. No livro de Atos dos Apóstolos, revela que o Vento do Céu levou o Espírito Santo no Pentecostes. “Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.” (Atos 2:1-4).

No Evangelho de Mateus (8,23-27), Jesus entrou na barca, e seus discípulos o acompanharam. E eis que houve uma grande tempestade no mar, de modo que a barca estava sendo coberta pelas ondas. Jesus, porém, dormia. Os discípulos aproximaram-se e o acordaram, dizendo: ‘Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo! ‘Jesus respondeu: ‘Por que tendes tanto medo, homens fracos na fé?’ Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria. Os homens ficaram admirados e diziam: ‘Quem é este homem, que até os ventos e o mar lhe obedecem?’

O Espírito Santo de Deus, o Qual sempre foi simbolizado pelos antigos, como vento, (Hebraico: rúah = hálito de Deus, sopro, respiração; Grego: pneuma = soprar, respirar, espírito aéreo; vento).

Vento é uma boa palavra para descrever o poder do Espírito Santo. A mudança acontece quando os ventos sopram — e quando o Espírito Santo se move, Ele traz a mudança como o vento. Também é utilizado como uma metáfora para representar a ação do Espírito Santo na vida das pessoas, trazendo renovação, transformação e direção.

Embora o vento na Bíblia simbolize muitas vezes o poder e o Espírito de Deus, também pode ter conotações negativas. A noção de um “vento mau” na Bíblia é um exemplo disso. Estes ventos adversos representam muitas vezes o julgamento, o desastre e a consequência do pecado.

Não devemos deixar que o vento da negatividade nos afaste da rota de atingirmos os nossos objetivos.

Se o vento é o ar em movimento, podemos dizer que o Espírito Santo é Deus em movimento, Deus que não para de trabalhar, como nos falam as Sagradas Escrituras: “Meu Pai trabalha sempre e Eu também trabalho” (João 5,17).

O nosso Deus é invisível aos nossos olhos, mas está sempre presente e podemos sentir a sua presença na nossa vida como uma brisa suave.

O vento é um agente da natureza misterioso. Não podemos prendê-lo, tampouco podemos definir o seu curso e a sua ação, e ao mesmo tempo em que sopra forte, destruindo o que não está firme, também surge como uma brisa suave, que refresca e traz serenidade.

Concluo lembrando de uma melodia do consagrado pianista Alcyr Pires Vermelho que recebeu letra de Gilvan Chaves e Fernando Luiz da Câmara Cascudo, filho do renomado folclorista potiguar, que tem o título Prece ao Vento: “Vento que balança as palhas do coqueiro. Vento que encrespa as ondas do mar. Vento que assanha os cabelos da morena. Me traz notícia de lá. Vento que assovia no telhado. Chamando para a lua espiar, oh. Vento que na beira lá da praia. Escutava o meu amor a cantar”.

Ah! Como seríamos cristãos diferentes se permitíssemos que o “Vento” de Deus soprasse a todo instante as “velas do nosso barco”, para que fosse, de fato, o condutor de nossas ações!