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Conflitos

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Conflitos

Em

02 de maio de 2026
11 min de leitura

FAÇA AMOR, NÃO FAÇA GUERRA

O piloto de caça alemão Erich Hartmann que durante a Segunda Guerra Mundial voou em 1.404 missões de combates aéreos, disse a seguinte frase: “Guerra é um lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam por decisão de velhos que se conhecem, se odeiam, mas não se matam”. Essa frase traz uma reflexão forte e crítica sobre a guerra. Quem mais sofre e paga o preço é a população civil, que não tem relação direta com as causas ou decisões da guerra.  As decisões de conflito geralmente são tomadas por líderes políticos mais velhos, porém quem as executa no campo de batalha frequentemente são os jovens que são usados como instrumentos de decisões que não são deles. Em eras passadas, monarcas e chefes de estado (como Alexandre, o Grande, ou Júlio César) frequentemente lideravam seus exércitos no campo de batalha.

Ressaltamos que a guerra é um conflito armado organizado, de alta intensidade e geralmente declarado entre Estados, enquanto conflito é um termo mais amplo que engloba disputas políticas, econômicas ou sociais, que podem ou não envolver violência física. Em suma, todo conflito não é necessariamente uma guerra, mas toda guerra é um tipo de conflito.

Infelizmente a história da humanidade tem sido considerada por alguns historiadores como a história das guerras. Podemos dizer que o homem é um ser beligerante. É o lobo do próprio homem. Está sempre em guerra com Deus, com seu semelhante e até consigo mesmo.

O filósofo alemão Immanuel Kant (1724–1804) em seu livro  “À Paz Perpétua”, escreveu que a história da humanidade é uma sucessão interminável de guerras que faz do planeta “o grande cemitério do gênero humano”. 

Desde muito antes do nascimento de Jesus Cristo, os povos já viviam conflitos, disputas e guerras. Civilizações antigas como as do Egito Antigo, da Mesopotâmia e da Grécia Antiga registraram batalhas por poder, território, riquezas e influência. Ao longo da história, muitos conflitos aconteceram por terras férteis, rotas comerciais, riquezas naturais ou influência política. Isso mostra que a ausência de paz não é algo recente, mas acompanha a humanidade desde seus primeiros passos organizados em sociedade. Então, sempre fomos tão violentos?  Ou houve algum momento na história quando o mundo realmente teve paz?

Entre 1815 e 1914, o mundo viveu o chamado século da paz, a paz britânica (Pax Britannica) em cujo meio houve a “belle époque”. Século de relativa ausência de grandes conflitos armados e entre as nações europeias, situado entre as Guerras Napoleônicas e a Primeira Guerra Mundial. Repito, relativa ausência de grandes conflitos armados.

Eu que nasci no ano de 1959, infelizmente nunca vi o mundo em paz, pelo contrário tenho visto numerosos conflitos armados. O primeiro conflito armado que tive conhecimento foi a Guerra do Vietnã (1955-1975) que foi uma das maiores derrotas militares e morais na história do Estados Unidos. A guerra intensificou movimentos de contracultura, como o movimento hippie, e protestos massivos. Jovens americanos desafiaram normas sociais, cabelos compridos e barbas tornaram-se símbolos de rebeldia, e a música e o estilo de vida da época foram moldados pela rejeição à guerra. Hippies rejeitavam a hierarquia, a obediência, o autoritarismo, o capitalismo, o comunismo e criticavam a imposição de valores estéticos de beleza, o modelo de educação, de matrimônio e de família vigentes. Tinham como lemas, por exemplo, as frases “Faça amor, não faça guerra” (Make love, not war), “Paz e amor” (Peace and love). A guerra terminou oficialmente com a saída das tropas em 1973 e a queda de Saigon em 1975, deixando um legado de profundas feridas sociais e psicológicas nos EUA. Bem, uma coisa é certa, desde a Segunda Guerra Mundial, nunca houve tantos conflitos violentos no mundo como hoje.

A paz mundial é um desafio absolutamente complexo porque ela na verdade não é desejada. Ganância, poder, ideologia, religião. Grupos e nações têm interesses conflitantes, levando a disputas por recursos, poder e influência. Rancores e injustiças do passado, quando não resolvidos, podem reacender conflitos no presente. Na verdade, quem faz a guerra esquece a humanidade, não olha para a vida concreta das pessoas, mas coloca diante de tudo os interesses de poder.

A guerra alimenta a si mesma sendo o negócio mais lucrativo do século XXI. Os gastos militares globais atingiram marcos históricos. Dados de 2024 mostram que  as despesas militares mundiais atingiram um recorde de R$ 12,4 trilhões. Imaginem se esse dinheiro fosse utilizado na construção e manutenção de hospitais, financiar o saneamento básico e o acesso a água potável para milhões de pessoas em países em desenvolvimento, erradicação do analfabetismo no mundo, acelerar a transição para energias limpas (solar, eólica, hidrogênio), no combate a fome, etc. Em resumo: o mundo teria recursos de sobra para resolver seus maiores problemas sociais se a prioridade fosse a preservação da vida, e não a preparação para a destruição.

O Brasil é conhecido como um país que, comparado a muitos outros, não viveu grandes guerras internacionais em seu território. Porém, isso não significa que sempre tenha vivido em paz. Ao longo da história, houve vários momentos de conflitos, revoltas e períodos de grande tensão. Conflitos políticos, revoltas populares e desigualdades sociais marcaram diferentes momentos do país. Esses episódios lembram que a paz verdadeira não é apenas ausência de guerra, mas também justiça, diálogo e respeito entre as pessoas. 

Me veio na lembrança um conflito familiar ocorrido em Exu (PE), entre 1949 e 1981 entre as famílias Alencar e Sampaio. A violência foi tamanha que chegou a ser noticiada como uma “guerra de famílias” que devastou a região, marcando o cenário político e social de Exu. Uma verdadeira “tragédia sertaneja resultou em dezenas de mortes, com estimativas que frequentemente superam 50 seres humanos, em sua esmagadora maioria contra inocentes, praticados dos mais diferentes e terríveis modos – em Exu, Recife, São Luís, Rio de Janeiro e em outros lugares, além de atentados.

O jornalista estadunidense Walt Whitman falecido 1892 escreveu a seguinte reflexão poética: “O que é a paz? perguntou o silêncio. É ouvir sem precisar responder, disse a calma. Trata-se de semear harmonia onde antes só havia ruído, disse a Fé. É repousar nas profundezas da alma, disse a luz. E viver sem guerras internas, disse a consciência”. O poema sugere que a verdadeira paz é um estado de espírito que se constrói internamente, independente das circunstâncias externas. Ela define a paz não apenas como ausência de conflito, mas como um estado ativo de serenidade, aceitação, fé e equilíbrio emocional, cultivado através do silêncio, da harmonia e da consciência.

O Budismo acredita que a paz universal pode ser atingida a partir da paz interior de cada um, com base no conceito de ahimsa (não-violência). O Cristianismo entende que a paz pode ser conquistada através do amor a Deus, conforme demonstrado pela vida de Cristo. Já o Judaísmo defende um caminho para a paz através da ideia de Tikkun Olam (consertar o mundo), entendendo que judeus seriam responsáveis não apenas por seu próprio bem-estar moral, espiritual e material, mas também pelo bem-estar da sociedade como um todo.

Na realidade a História mostra que os problemas começam quando fanáticos de todos os lados se sentem no direito de guerrear em nome de seus respectivos deuses ou pensam que são Deus.

Pensei que no fim da  pandemia, sairíamos melhores em todos os aspectos, principalmente no que se diz respeito a paz da humanidade. Infelizmente me enganei assim como todos aqueles que sobreviveram as duas Grandes Guerras Mundiais.

Mas na minha humilde visão, entendo que a paz começa dentro de cada um de nós e se espalha através das pequenas ações. Não há paz no mundo porque nos falta paz interior. Viver em paz consigo mesmo é um dos desafios mais complexos e profundos que enfrentamos. É um constante processo de autoconhecimento e transformação. Em casa, podemos praticar a paciência, o diálogo e o respeito, lembrando que as palavras têm poder para construir ou ferir. Conflitos nascem de palavras ditas sem cuidado ou de opiniões impostas sem diálogo. Pequenos gestos, como ceder a vez ou evitar discussões, já contribuem para um ambiente mais tranquilo. No trabalho, agir com honestidade, colaboração e compreensão ajuda a criar um ambiente mais leve e harmonioso para todos. Entre amigos, valorizar a sinceridade, a lealdade e a escuta verdadeira, fortalece os laços e evita conflitos desnecessários. Pequenas atitudes de respeito, empatia e solidariedade ajudam a fortalecer a amizade. Até mesmo no trânsito, onde muitas vezes surgem momentos de tensão, podemos escolher a calma, a gentileza e o respeito pelas outras pessoas. Construir pontes e resolver conflitos através do diálogo e da aproximação é um caminho para a paz. Viver em paz não depende apenas do mundo ao nosso redor, mas principalmente das atitudes que cultivamos no dia a dia.

A paz interna e a paz externa reforçam-se mutuamente, mas são distintas. A paz externa cria as condições para que muitas pessoas encontrem a serenidade interior; a paz interna entre muitas pessoas reduz a probabilidade de conflitos externos.

A frase “sem paz nas famílias é difícil ter paz nas ruas” é um provérbio ou ditado popular que expressa a ideia de que a harmonia e a estabilidade na sociedade dependem fundamentalmente da harmonia e da estabilidade nas unidades familiares. Precisamos assim, para a paz, começar a desenvolver a paz em nós próprios, depois em nossas famílias e a seguir em nossas comunidades. É difícil pedir a paz mundial, embora eventualmente, a nível mundial, isso seria melhor. Mas o que é mais realista é começar agora a um nível pequeno, conosco, com a família, comunidade.

Não podemos esquecer da paz que Jesus pregava. Não era apenas a ausência de conflitos, mas uma transformação profunda do coração humano. Jesus  ensinou que a verdadeira paz nasce do amor, do perdão e da compaixão entre as pessoas. Declarou aos seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não a dou como o mundo a dá” (João 14:27). Essa paz não é a ausência de conflitos externos, mas uma paz interior que não se abala com as dificuldades.

Que possamos lembrar sempre dos ensinamentos de Jesus e buscar viver essa paz todos os dias: falando com bondade, agindo com justiça e cultivando o amor em cada atitude. Assim, pouco a pouco, o mundo se torna um lugar melhor. Mesmo que as guerras não cessem, cada pessoa pode ser um pacificador, como ensina o Evangelho: reconciliar, evitar discussões, desfazer inimizades, apaziguar brigas. Pequenos gestos que refletem o chamado de Jesus: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.”

Concluímos  com um texto atribuído a Motele Schlein, um menino judeu de 12 anos que se tornou um herói da resistência durante a Segunda Guerra Mundial: “Hoje tive um sonho, sonhei que o mundo estava em paz, sonhei que os velhos voltaram a frequentar as praças, e que as crianças não passavam fome, sonhei que no mundo sofrimentos e agonias não existiam, então acordando percebe que tal coisa não é impossível porque o mundo já não tem mais volta, mais se um dia isso existir eu sei que as pessoas viveriam mais feliz, apesar que muitas dessas pessoas não conseguiram viver assim, porque o sangue que corre nas suas veias, como do diabo é ruim”

Conflitos

Em

27 de outubro de 2023
13 min de leitura

QUE A PAZ REINE NO MUNDO

Anualmente, milhões de turistas de todos os cantos do mundo visitam a “Terra Santa”.  Região do Oriente Médio formada por três países: Israel, Jordânia e Palestina. Ela também é considerada solo sagrado, para as três grandes religiões monoteístas da atualidade: Cristianismo, Judaísmo e Islamismo. As três compartilham suas origens a partir da história de Abraão, o patriarca bíblico. Para os cristãos, a Terra Santa, ou Galileia, é o local do nascimento, pregação, crucificação e ressurreição de Jesus Cristo. Para os judeus ela é a Terra Prometida, onde estão suas cidades mais sagradas. Para os muçulmanos, o local também tem muito significado e é citada diversas vezes no Corão.

Muitos ainda acham que a Terra Santa, é um destino apreciado somente por peregrinos, mas quem já teve a oportunidade de ter pisado onde o Senhor Jesus pisou, se entregou e ressuscitou, descobriu o que essa incrível jornada espiritual, histórica, cultural e gastronômica pode nos oferecer.

Infelizmente nem tudo são flores. Uma região considerada “Santa ou Prometida”, gerações e gerações sofrem com conflitos entre os israelenses e os palestinos que já destruiu muitas vidas e já pendura mais de 70 anos.

A região é complexa, principalmente, em termos políticos, haja vista que essa área se caracteriza por inúmeros conflitos há décadas. Não é à toa que se diz ser a região um “barril de pólvora”.

Para entender plenamente a natureza desse conflito, se faz necessário caminhar pelos eventos históricos e os fatores que moldaram, ao longo do tempo, os povos israelenses e palestinos a entrarem em conflito até os dias atuais.

O surgimento dos povos israelenses e palestinos,   está ligado à história de Abraão, que recebeu de Deus, segundo os textos religiosos, a missão de migrar para a “terra prometida”, em Canaã, antiga terra dos cananeus, depois chamada de Palestina, onde hoje se localiza o Estado de Israel. A promessa de Deus a Abraão deu origem à crença de que a terra da Palestina era a herança legítima do povo judeu, uma crença que foi mantida e fortalecida ao longo dos séculos. No entanto, a região não estava desocupada,  povos árabes e palestinos já viviam lá.

Na Bíblia, Abraão teve ao todo oito filhos. O único filho que teve com sua esposa Sara foi Isaac. Filho prometido que herdaria as promessas feitas por Deus a Abraão (Gênesis 21:1-3). Sua primeira concubina foi com a egípcia chamada Agar que lhe deu o filho chamado Ismael (Gênesis 16:1-6).  Abraão ainda teve seis com sua concubina Cetura (Gênesis 25:1-6).

Quando Isaac cresceu e foi desmamado, Abraão deu uma grande festa. Durante a festa, Sara viu Ismael escarnecia de seu filho Isaac, ela ficou muito zangada e persuadiu Abraão a expulsar Agar e Ismael de sua morada, fazendo com que mãe e filho partissem para o deserto. Isto causou uma contenda entre Ismael e Isaque.  Abraão ficou preocupado por seu filho, mas Deus lhe disse que protegeria Ismael.  Ismael cresceu e ficou vivendo no deserto. Ele se tornou flecheiro e se casou com uma egípcia (Gênesis 21:20-21) com quem teve doze filhos, que seriam as doze tribos ismaelitas, que deram origem aos árabes.

A descendência de Isaac se tornou Israel, o povo prometido de Deus, que ocupou as terras de Canaã. Enquanto a descendência de Ismael, tornou-se os ismaelitas, povo que vivia no Egito e que teve diversos encontros com o povo israelita através da Bíblia. Assim sendo, podemos dizer que os judeus são descendentes de Isaac, filho de Abraão. Os árabes são descendentes de Ismael, também filho de Abraão.

Saindo dos fatos históricos, relatados na Bíblia, podemos dizer que o conflito entre israelenses e palestinos, tem suas raízes no final século XIX, surgimento do movimento sionista, com o início da chegada à Palestina de judeus que fugiam de perseguições religiosas na Rússia e na Europa central. Essa região era reivindicada pelos judeus por ter sido deles até a sua expulsão pelo Império Romano, no século III d.C., dando início à Diáspora Judaica, a dispersão de judeus pelo mundo.

A partir do século XIII, o antissemitismo passou a crescer na Europa, junto com as superstições da época, levando muitos vilarejos a considerarem os judeus como culpados pelas muitas das epidemias e desastres naturais da época. Esse fenômeno medieval, foi amplamente descrito no livro Bode Expiatório, do sociólogo francês René Girard. Muitas vilas realizavam linchamentos públicos contra as comunidades judias, exilando-os de seu convívio.

A palavra antissemitismo refere-se a aversão preconceituosa e xenofóbica, criada por certos setores da sociedade contra povos de origem judaica, que são povos da linhagem étnica semita. Na contemporaneidade, os semitas são judeus e árabes. Na Antiguidade, esses povos eram fenícios, hebreus (judeus), babilônicos, arameus, assírios e outros que, no terceiro milênio antes de Cristo, deslocaram-se da Península Arábica para a Mesopotâmia.

No século XIX, o antissemitismo era comum em nações europeias, em especial na Alemanha. Fundou-se então uma ideologia antissemita, que colocava no crescimento econômico judeu, a responsabilidade pela fome e pelas crises alemãs, o que serviu mais tarde para que Hitler perseguisse, prendesse e matasse milhões de judeus, sob a justificativa de uma higienização étnica que livraria a Alemanha de suas mazelas.

Não havia uma base em fatos ou lógica. Hitler e os nazistas tinham como alvo os judeus para perseguição e aniquilação, pois eram antissemitas raivosos que odiavam os judeus. Considerados pelos nazistas como o ‘inimigo mundial’, a serem procurados ativamente onde quer que vivessem e mortos sem exceções, em um processo abrangente de extermínio que deveria continuar até não havia mais judeus em nenhum lugar do mundo.

Os nazistas fizeram duas alegações falsas principais em sua propaganda inicial: primeiro, que os judeus alemães haviam traído a Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial e eram responsáveis por sua derrota; e, segundo, que os judeus foram responsáveis pela miséria econômica da Alemanha durante a depressão do final dos anos 1920 e início dos anos 1930. Isso ainda vinculado a uma mentira maior sobre uma conspiração judaica global.

Os judeus foram transformados no bode expiatório e culpados de todos os males pelos quais atravessava a Alemanha, fazendo com que sua eliminação se tornasse um imperativo de Estado. Por exemplo, se você fosse um agricultor com dificuldades para lidar com o súbito crescimento das cidades e com a realidade das ferrovias que agora cortavam suas terras, os judeus eram culpados por isso. Esses argumentos apoiavam-se, é claro, em preconceitos.

Há de ressaltar que financeiramente, quase um terço do esforço de guerra alemão foi pago com dinheiro roubado dos judeus. As autoridades nazistas apreendiam e vendiam a propriedade de judeus que fugiam ou era enviados para os campos da morte.

Importante ressaltar que na Alemanha, em 1543, Martinho Lutero escreveu sobre os judeus, dizia Lutero, “os judeus nada mais são do que ladrões e usurpadores que diariamente não comem bocado e não usam peça de roupa que não tenham furtado e subtraído de nós por meio de sua maldita usura”. Mas o Iluminismo trouxe uma mudança na sorte dos judeus europeus. Christian Wilhelm von Dohm, um historiador alemão, escreveu em 1781 em favor da emancipação dos judeus e destacou que “Tudo aquilo cuja culpa atribuímos aos judeus é causado pelas condições políticas sob as quais eles vivem agora”.

O ódio de Hitler aos judeus, fruto da profícua imaginação de um homem, resultou na morte de seis milhões de judeus brutalmente assassinados pelos nazistas em campos de concentração e extermínio.

Todavia, no século XIX reascendeu o movimento judeu denominado sionismo. O termo sionista deriva da palavra bíblica sion, que designa “Jerusalém” (cidade sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos). Justificados pela expulsão de territórios e diásporas vividas pelos judeus desde a Antiguidade, os sionistas pretendiam reocupar o território da Palestina, sua terra natal, a fim de construir um Estado-nação que abrigasse novamente essa etnia dispersa pelo mundo. Após a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, aumentou a pressão pelo estabelecimento de um Estado judeu.

Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou o plano de criação do Estado de Israel, que só foi oficializada no ano seguinte, dividindo a Palestina em dois estados, um árabe e um judaico. Jerusalém permanece sob controle internacional. A Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, permanece com a Jordânia e a Faixa de Gaza com o Egito. Após a fundação de Israel, em 14 de maio de 1948, a tensão deixou de ser local para se tornar uma questão regional. Infelizmente, o Estado da Palestina não foi criado. No dia seguinte, a fundação do Estado de Israel, as nações árabes, composta por Egito, Síria, Jordânia, Líbano e Iraque, não aceitando a criação de Israel, invadiram o território palestino recém-criado, dando início à Guerra árabe-israelense de 1948. A guerra foi desastrosa para os palestinos, uma vez que Israel possuía forças armadas organizadas. Essa oposição Árabe fez culminar uma série de conflitos que se estende até os dias de hoje.

A criação do Estado de Israel em 1948, marcou um ponto crucial no conflito. A busca dos judeus por um Estado independente, após o Holocausto e a perseguição histórica desencadearam uma série de tensões e hostilidades com os palestinos, que se sentiram prejudicados e deslocados por essa política.

A ONU estabeleceu o seguinte: Israel seria formado por 53,5% das terras; Palestina seria formada por 45,4% das terras; O restante corresponderia a Jerusalém, sob controle internacional. Havia nessa divisão uma grande contradição, pois os judeus, que correspondiam a 30% da população, ficariam com uma parcela maior do território.  Os palestinos, por sua vez, correspondiam a 70% da população e ficariam com uma parcela menor.

Proporcionalmente, o povo judeu é em conjunto, muito mais rico do que os demais grupos religiosos existentes. Infelizmente, por conta de seu resultado financeiro e criarem riqueza por onde passam. o povo judeu é até hoje vítima de preconceito, intolerância, inveja e associado a uma série de estereótipos.

Os judeus têm o comércio e a prestação de serviços como algo muito presente em suas tradições. Historicamente os judeus ao longo dos séculos foram proibidos por vários reinos de serem donos de terra. O que fez com que eles tivessem que literalmente aprender a empreender para sobreviverem. Dessa maneira, enquanto muitas pessoas tem vergonha de prestar serviços, e mais ainda de vender produtos, os judeus dominam há séculos as habilidades que envolvem o comércio. A sua subsistência era retirada do comércio, o que os permitiu acumular dinheiro ao longo do período medieval, sendo que a prática da usura (obtenção de lucro por meio do empréstimo), condenada pela Igreja Católica até o século XVII, era comum entre eles. Também foram os judeus, os fundadores dos primeiros bancos.

No Brasil temos como exemplo de empreendedorismo dos judeus, o apresentador de TV Senor Abravanel, mais conhecido como Silvio Santos. Silvio Santos começou a vida profissional vendendo canetas na rua. E ele amava se comunicar e vender. Era tão bom nisso que passou a ser vendedor ambulante de vários produtos. Com a experiência de venda popular nas ruas, foi trabalhar como comunicador. Se empenhou tanto, que se tornou o maior comunicador da TV brasileira. Sílvio Santos é judeu!

Não podemos esquecer deixar de ressaltar o desenvolvimento da agricultura em Israel, mesmo diante de limitados recursos naturais, possibilitou a autossuficiência na produção de alimentos e a liderança na exportação de produtos cítricos. Além disso, o país se destaca por suas tecnologias de ponta, como a dessalinização e o controle eficiente do uso da água.

A nação judaica corresponde a menos de 1% da população mundial. São apenas 14 milhões de judeus no mundo inteiro e cerca de metade vivendo fora de Israel.

A busca pela paz na Terra Santa,  é uma tarefa complexa e extremamente delicada, devido ao valor político, econômico e simbólico do território tanto para os Israelitas como Palestinos. Na realidade, três fatos importantes contribuíram para que essa região se tornasse palco de inúmeros conflitos, a saber: as duas grandes Guerras Mundiais, a criação e a efetivação do Estado de Israel e a descoberta de grandes Jazidas Petrolíferas.

A presença de grupos radicais islâmicos, como o Hamas, o Hezbollah e o Estado Islâmico, também desempenhou um papel importante na escalada da violência e na perpetuação do conflito, tornando-o ainda mais difícil de resolver.

A demora na criação de um Estado palestino independente, a construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia e o bloqueio de Israel a Gaza, condenada pelo Tribunal Internacional de Haia, complicam o andamento de um processo de paz. À medida que os eventos se desenrolam, é fundamental lembrar que por trás dos números e das manchetes estão vidas humanas, famílias e comunidades inteiras em sofrimento.

O sionismo, embora tenha alcançado seu objetivo de criar um Estado Judeu, também deixou um legado de hostilidades e disputas territoriais.

O historiador pioneiro do Holocausto, Raul Hilberg, argumentou que o ódio contra os judeus evoluiu através dos tempos, mas com notáveis continuidades em métodos e objetivos: “os missionários do Cristianismo disseram efetivamente: ‘Vocês não têm o direito de viver entre nós como judeus’. Os governantes seculares que se seguiram proclamaram: Vocês não têm o direito de viver entre nós. Os nazistas alemães por fim decretaram: Vocês não têm o direito de viver”.

No Salmos 122, o Salmista Davi descreve o seu amor por Jerusalém, a Cidade Santa, declara: “Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam.  Haja paz dentro de teus muros; e prosperidade, dentro dos teus palácios.  Por causa dos meus irmãos e amigos, direi: Haja paz em ti.  Por causa da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o teu bem”. Foi durante seu reinado que ela foi escolhida como a cidade que levaria o nome do nosso Deus.