Querido símbolo da terra, da amada terra do Brasil!

Nas décadas de 70, 80 e 90 o automobilismo brasileiro ganhou destaque mundial com Emerson Fittipaldi, Nelson Pique e Ayrton Senna.

Por José Viana
em 07/06/2022
Querido símbolo da terra, da amada terra do Brasil!

Nas décadas de 70, 80 e 90 o automobilismo brasileiro ganhou destaque mundial com Emerson Fittipaldi, Nelson Pique e Ayrton Senna. Porém, foi o piloto Ayrton Senna, que no final dos anos 80 e início dos anos 90, com seu tricampeonato mundial, deixou registrado seu nome na história como um dos maiores representantes do esporte do Brasil, podemos até dizer, do mundo.

Senna colecionava pódios em sua carreira, tendo o total de 80 pódios, onde 41 destes foi consagrado com a vitória. Em suas vitórias, o piloto carregava com orgulho a bandeira nacional em mãos, mostrando o poder do automobilismo brasileiro. Infelizmente, sua vida e carreira foram interrompidas devido a um acidente de carro em 1° de maio de 1994, no GP de San Marino, na Itália.

Esse ato de carregar a bandeira nacional, exaltava em todos brasileiros o sentimento de patriotismo. Lembramos que patriotismo é o sentimento de orgulho, amor, devolução e devoção à pátria, aos seus símbolos (bandeira, hino, brasão, riquezas naturais, patrimônios material e imaterial, os heróis de sua história, dentre outros) e ao seu povo. É razão do amor dos que querem servir o seu país e ser solidários com os seus compatriotas.

Será que os brasileiros ainda sabem o que são símbolos nacionais? Pois bem, para quem não se lembra, conforme descritos, na Constituição Federal, os quatro símbolos oficiais que representam o Brasil e a identidade da nação no mundo, são: a Bandeira Nacional, o Hino Nacional, as Armas Nacionais (ou Brasão Nacional) e o Selo Nacional.

O Patriotismo, luta para que esses símbolos sejam preservados, valorizados e transmitidos, tudo isso, aliado à construção de uma sociedade presente e melhor.

O conceito de patriotismo e nacionalismo são coincidentes, ao ponto de confundirem-se os conceitos originais. Patriotismo, remete à herança cultural e aos símbolos de uma nação, enquanto nacionalismo remete à ideia de país e sua organização política. Ou seja, o nacionalismo envolve um certo grau de patriotismo, mas é algo ligado ao compromisso, com um projeto político.

Já o patriotismo autêntico, transcende interesses políticos e partidários imediatos, e envolve o amor autêntico por toda a bagagem cultural de uma nação.

O Patriotismo está acima do amor por um governo ou partido específico, e engloba o amor por todo o conjunto de valores, tradições e gestos, que um determinado povo comporta.

O nacionalismo pode ser combinado com diversos objetivos e ideologias políticas, tais como o conservadorismo (conservadorismo nacional e populismo de direita) ou o socialismo (nacionalismo de esquerda).

Na prática, o nacionalismo pode ser positivo ou negativo, dependendo da sua ideologia e dos seus resultados.

A ideia de Nacionalismo, tem precedentes no período medieval, no momento em que as monarquias absolutistas promoveram a centralização dos reinos.

É a partir da Revolução Francesa, que surge o Nacionalismo na configuração que hoje se tem. Ele motivou guerras, como as Napoleônicas, e processos de independência ou unificação como nos casos dos Estados Unidos, da Alemanha e da Inglaterra.

O nacionalismo que vemos hoje, nas democracias consolidadas é muito diferente daquele da Alemanha nazista e do Brasil dos anos 30. Afinal, o mundo está muito diferente. Não tão presente no culto aos símbolos, como o hino e a bandeira.

O nazismo, é o exemplo máximo de uma das mais emblemáticas características do nacionalismo: a anulação das diferenças. Neste caso, houve uso da força física para exterminar algumas parcelas da população (judeus, ciganos e homossexuais) e forjar uma nação “sem diferenças”.

O nacionalismo no Brasil, está diretamente relacionado ao período de governo de Getúlio Vargas, principalmente no período da ditadura do Estado Novo, quando era presidente no Brasil. O Estado Novo, foi de 1937 a 1945 e tinha como principais características o anticomunismo, o autoritarismo e o nacionalismo. Vargas incentivava o nacionalismo de diversas formas, desde a implementação de políticas populistas, a utilização de propaganda do seu governo, a extrema valorização do território brasileiro.

Durante o regime militar brasileiro, o nacionalismo também foi bastante incentivado, por meio de campanhas ufanistas para conquistar a simpatia da população. Assim, surgiram os slogans “Ninguém segura este país” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”, além das músicas com refrão “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo; ninguém segura a juventude do Brasil”, “Este é um país que vai pra frente (…)”.

O hino da Copa de 1970 era cantado pelo país: “noventa milhões em ação, pra frente, Brasil do meu coração (…) Salve a seleção”. A ideia, era a de contagiar a população em torno de um mesmo objetivo: amar a sua nação. E deu certo, pois a vitória da Seleção Brasileira Masculina de Futebol, na primeira transmissão ao vivo de uma Copa do Mundo, levou grande parte do país às ruas para cantar versinhos patrióticos, o que foi uma grande vitória para a ditadura militar.

Muitos consideram que a maioria do povo brasileiro, não é nacionalista, ou só demonstra amor pela nação na altura de grandes competições esportivas, como a Copa do Mundo.

Historicamente, o povo brasileiro, nunca teve que se unir contra uma ameaça externa, como aconteceu em outros países. Mesmo quando o Brasil conquistou a independência, essa conquista foi alcançada para o benefício de um pequeno grupo, que lutava pelos seus interesses. Muitos acreditam, que por esse motivo o nacionalismo não foi fomentado no Brasil.

Voltando aos símbolos nacionais, podemos defini-los como “elementos gráficos ou musicais destinados a representar um Estado bem como uma nação que vive dentro dos seus limites” indicando a sua soberania.

De muito, os povos demonstraram uma tendência natural de se tornarem conhecidos, através de desenhos ou combinações de cores, detalhes que evoluíram até atingir a situação de bandeiras e escudos. Realmente, diferentes comunidades, em épocas remotas, elegeram desenhos que permitiam identifica-las.

Os símbolos nacionais são elementos que representam a nação e os fundamentos constitucionais: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Os nossos símbolos nacionais atuais, são definidos pela Lei 5700 de 1° de setembro de 1971.

Lembrando novamente, da atitude do nosso Ayrton Sena do Brasil, carregando a bandeira nacional em mãos, quero ressaltar que as Bandeira Nacionais, simbolizam a soberania de uma nação, representando sua história, seus valores, suas lutas e uma infinidade de outros elementos e sentimentos de um povo em relação ao seu país. Isto é, as Bandeiras Nacionais, emblemam o sentimento de pertencimento a uma nação, mas, para além disso, simbolizam o patriotismo: o sentimento de amor, orgulho e devoção à pátria. Portanto, é respeitável que recordemos um pouco da história da bandeira do Brasil, a fim de que entendamos sua origem e seu sentido originário, nem sempre mantidos nos discursos da atualidade política.

Por mais de um século, as cores que representavam nosso país eram o branco e o vermelho. Isso porque, até 1645, o Brasil utilizava os mesmos símbolos nacionais que nossa metrópole, Portugal, sendo comum encontrar nas bandeiras anteriores brasões, coroas e escudos, que representavam a família real portuguesa.

A bandeira Imperial do Brasil, criada e adotada após a Independência do Brasil, trazia os traços de nosso atual pavilhão nacional.

A atual Bandeira Nacional do Brasil, foi criada pelo filósofo e matemático Raimundo Teixeira Mendes e pelo filósofo Miguel Lemos, sendo inspirada na antiga Bandeira do Império que foi desenhada pelo pintor francês Jean Baptiste Debret sendo utilizada oficialmente pela primeira vez em 19 de novembro de 1889, apenas quatro dias após a Proclamação da República.

O que distingue a nossa bandeira é a original disposição do losango amarelo sobre o campo verde. Nenhum outro pavilhão nacional, no mundo, apresenta desenho igual ou parecido ou tem o verde e amarelo como cores principais ou únicas. Essa concepção, foi projetada pelo artista francês Jean Baptiste Depret, que se inspirou nas bandeiras militares da França, usadas no tempo da Grande Revolução e na época Napoleônica, delas reproduzindo o modelo ornamental em estilo império, constituído por um losango inscrito num retângulo.

Apesar de ser famosa a história de que a Bandeira do Brasil, representa nossas riquezas naturais e minerais – o amarelo seria o ouro, o verde, nossas florestas e o azul, nossos mares, na verdade a bandeira representa nosso atual sistema político, a República.

Prova disso, é que as estrelas da bandeira representam a divisão do país nos 26 Estados e mais o Distrito Federal.

Na verdade, a cor verde representa a Casa de Bragança, da família real portuguesa, e a cor amarela representa os Habsburgos, a família da imperatriz Leopoldina. O lema escrito na bandeira, “Ordem e Progresso”, tem inspiração em uma frase de Augusto Comte, criador da filosofia positivista, que diz: “O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”.

A Lei nº 5.700, de 1971, dispõe sobre a forma e a apresentação dos Símbolos Nacionais. Sendo bem específico a Bandeira Nacional, no Art. 31 da referida Lei, considera manifestações de desrespeito à Bandeira Nacional, e portanto proibidas: apresentá-la em mau estado de conservação, mudar-lhe a forma, as cores, as proporções, o dístico ou acrescentar-lhe outras inscrições, usá-la como roupagem, reposteiro, pano de boca, guarnição de mesa, revestimento de tribuna, ou como cobertura de placas, retratos, painéis ou monumentos a inaugurar e reproduzi-la em rótulos ou invólucros de produtos expostos a venda. Todavia, apesar do artigo 35 da referida Lei, prevê, que “a violação de qualquer disposição desta Lei, é considerada contravenção, sujeito o infrator à pena de multa de uma a quatro vezes o maior valor de referência vigente no País, elevada ao dobro nos casos de reincidência”, com a revogação do Decreto-lei n. 898, de 1969 que definia como delito o ato de e “destruir ou ultrajar a bandeira, emblemas ou símbolos nacionais, quando expostos em lugar público”, com pena de detenção de 2 a 4 anos para quem o fizesse, queimar ou insultar a bandeira nacional passou a não ser mais crime. Em resumo, as Leis do Brasil não protegem totalmente a Bandeira Nacional.

Após a descrição de todas as normativas referentes a Bandeira Nacional, faço o seguinte questionamento: Por que os brasileiros que se consideram tão patriotas, muitos não valorizam seus símbolos nacionais, principalmente a Bandeira Nacional?  O que vemos atualmente no Brasil é um desrespeito total a este amado Símbolo Nacional. Um símbolo só tem legitimidade, enquanto sua forma e conteúdo são integralmente respeitados.

Na minha opinião, o Brasil hoje, enfrenta um perigoso processo de extinção do que é seu Patriotismo. Verifica-se hoje uma tendência crescente de apropriação de símbolos nacionais por movimentos político-partidárias no Brasil. Pior ainda em manifestações ocorridas que atearam fogo na Bandeira Nacional e ultrajam os Símbolos Nacionais.

Triste lembrar, torcedores jogando bandeirinhas em direção ao campo, nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2002, no jogo contra a Colômbia, bem como, na final da Copa de 1998, em que o Brasil perdeu a final contra a França em placar de 3×0. 

O Brasil, tem passado por mudanças dentro e fora dos esportes nos últimos anos, mas a bandeira nacional, tem que ser utilizada como símbolo de esperança para torcedores e esportistas, em todas as modalidades.

Todo cuidado é pouco na hora de se manifestar nas ruas. E aqui não há opção entre cumprir ou não cumprir as determinações legais. O que menos importa é que o indivíduo pensa, seja doutrinador ou não, patriota ou apátrida, de qualquer posição do campo de pensamento, seja qual for a ideologia seguida, pois a lei está em vigor.

É importante que a Bandeira Nacional, do Brasil seja um símbolo de união de todo o povo brasileiro, longe de se restringir apenas a algumas convicções políticas. Ela é o símbolo do patriotismo, que todo brasileiro deve carregar consigo, congregando o nosso povo. O amor e orgulho que temos de nossa Pátria e que nos faz arrepiar quando se ouve a execução do Hino Nacional, ou vislumbramos com o tremular altaneiro da Bandeira Nacional.

É preciso refletir acerca do tema, a fim de que o sentido originário deste símbolo nacional, seja lembrado e preservado, independentemente de ideologias político-partidárias.

Desta forma, sugerimos o respeito, e sobretudo, ordem e progresso na Pátria Amada, para que tenhamos lindos campos e mais flores, que reconheçamos, paz no futuro e glória no passado, nesse gigante Torrão pela própria natureza, forte, belo, encantador, fenomenal, impávido colosso, Terra adorada Brasil, e que a luz do cruzeiro possa resplandecer sempre, riscando os céus dos mais belos horizontes, pois já raiou a liberdade no horizonte do Brasil, abrindo as asas sobre todos, das lutas na tempestade.

Desta feita, recebe o afeto que se encerra em nosso peito varonil, querido símbolo da terra, da amada terra do Brasil!

10 Thoughts on Querido símbolo da terra, da amada terra do Brasil!
    George Adriano Bezerra de Moura
    7 Jun 2022
    9:28am

    Maravilha!
    Fiz uma viagem há minha infância / adolescência, quando hasteávamos a bandeira e cantávamos o hino nacional, sob a supervisão do capelão do exército Professor Órneles! O colégio era o Winston Churchill.

    Ney Argolo
    7 Jun 2022
    9:56am

    Parabéns Vianinha.
    O nacionalismo está cada vez mais presente no Planeta, em que pese o Globalismo dispute espaço.

    Como contradição para análise , Biden, Macron e outros continuam ferreamente defendendo as hegemonias globais de seus países !!!

    Junior Ribeiro
    7 Jun 2022
    9:57am

    Cada artigo uma verdadeira aula. Parabéns e obrigado.
    Quando você fala: “Na minha opinião, o Brasil hoje, enfrenta um perigoso processo de extinção…” imagino que ainda somos um povo ignorante, que não cultivamos a educação e a ordem. Que misturamos sentimentos ideológicos com amor a pátria, onde os interesses próprios andam de mãos dadas com o autoritarismo. Enfim, ainda temos muito o que aprender e infelizmente valores como os símbolos nacionais estão cada vez mais em desuso.

    Fico na esperança de que a luz do cruzeiro sul possa resplandecer.

    David Paulino do Nascimento
    7 Jun 2022
    10:17am

    Parabéns Viana. Uma verdadeira viagem a nossa história tendo por base esse tema nos lembrando a representação e acima de tudo a significação dos nossos símbolos maiores, enquanto brasileiros.

    Marcus Soares
    7 Jun 2022
    1:57pm

    Excelente texto. Não consigo entender o desrespeito que se pratica atualmente com nossos símbolos pátrios. Este texto, além do conteúdo histórico, nos faz refletir no verdadeiro sentido de patriotismo e nacionalismo, sem exacerbação, mas, como uma demonstração de amor à nossa pátria. Arrasou Viana…de novo!

    Leickton
    7 Jun 2022
    3:56pm

    Excelente exposição das questoes dos símbolos nacionais, tão desreipeitados no campo politico atual.

    Judson
    7 Jun 2022
    5:57pm

    Boa noite Viana , muito boa a matéria, nesses tempos em que muitos acham que patriotismo é agressão aos poderes querendo passar por cima das leis.

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