CANTA CANTA MINHA GENTE DEIXA A TRISTEZA PRA LÁ

Por José Viana
em 07/02/2022
CANTA CANTA MINHA GENTE DEIXA A TRISTEZA PRA LÁ

Desde criança gosto de música, de instrumentos musicais e de cantar. Com sete anos de idade, residi na cidade de Solânea na Paraíba. Na frente da minha casa, tinha um centro Pastoral onde um conjunto musical da cidade fazia seus ensaios. Sempre que eu podia, ia ver os ensaios. De todos os instrumentos o que eu mais gostava de ver tocar era a bateria. Durante muitos anos de minha vida, disse que ainda compraria uma bateria e aprenderia a tocar, mas ficou apenas em sonho. Aos 10 anos de idade, num evento para comemoração do Dias das Mães no Clube Municipal de Monteiro-Pb, tive a oportunidade de cantar em público. Por incrível que pareça, dentro de determinada categoria, fui o vencedor. Fiquem certos que tinha mais de um concorrente. O melhor foi o prêmio: uma lata de doce. Passados bons anos, já residindo na cidade do Natal –RN, junto com mais dois grandes amigos, Manu e Raimundinho, montamos um trio chamado “Os Teimosos”. O repertório era composto principalmente por músicas de forro de cantores como Luiz Gonzaga, Genival Lacerda, Trio Nordestino e Três do Nordeste, e algumas músicas de cantores nordestinos que gostavam de fazer letras de duplo sentido. Nesse trio, eu era o vocalista. Na verdade, as apresentações eram apenas para nos divertirmos nas festas juninas que eu e minha esposa sempre fazíamos em nossa residência. Importante lembrar que as únicas fãs que tive como cantor, foram minha mãe e minha avó paterna. Como para as mães os filhos são sempre perfeitos e para os avós, os netos são a sua coroa de glória, fica difícil considerar essa opinião. Vocês não acham?

Bem, independentemente de meus dons artísticos, há um ditado popular que diz que “quem canta, seus males espanta”.

O filósofo Platão já dizia “primeiro, devemos educar a alma através da música e, a seguir, o corpo através da ginástica”, destacando a importância dessa arte para a manutenção do conhecimento e da vida.

A música é uma das formas de arte mais apreciadas no mundo. É reconhecida por muitos pesquisadores como uma modalidade que desenvolve a mente humana, promove o equilíbrio, proporciona um estado agradável de bem-estar, influencia no humor, reduz a depressão, tensão e fadiga, facilita a concentração e o desenvolvimento do raciocínio.

Mas, por incrível que pareça tem pessoas que não gostam de música. Na verdade, a ciência criou até um nome para qualificar sua condição; anedonia musical. É uma condição em que o indivíduo é incapaz de sentir prazer ao ouvir música. É um sintoma típico da depressão, também encontrado em alguns tipos de esquizofrenias e no transtorno de personalidade. Quanto ao gosto musical, é algo difícil de ser discutido. Afinal cada um tem o seu. Seja por moda, por influência da família, dos amigos ou qualquer outra coisa, o importante é sentir-se bem ouvindo o seu som.

O nosso Brasil é muito diverso e heterogêneo culturalmente, e apresenta distintos estilos musicais dependendo da região. Cada um deles tem uma história e revelou artistas importantes para a história da música e do Brasil.

Infelizmente nos últimos tempos a música brasileira começou a ficar carente de conteúdo, de mensagens, de poesias ou de rebeldia com justa causa.

Lembramos, por exemplo, da Música Popular Brasileira (MPB), um dos gêneros musicais mais apreciados no Brasil, surgiu em meados da década de 60 como um desdobramento da bossa nova e apresentava influência de diversos estilos musicais, na busca de criar um genuinamente nacional. Com o Golpe Militar de 1964, esse tipo de música também se constitui como um forte instrumento de luta contra a repressão. Com um conteúdo contestador, os músicos se posicionavam de maneira contrária às injustiças sociais e à ditadura imposta no país.

Nesse período muitos artistas viram suas músicas na lista de censura da repressão, mas nem por isso eles pararam de produzir suas canções. Em outras palavras, eles utilizaram a arte para mascarar sua militância contra a política da época.

Muitas dessas músicas tornaram-se um marco de uma época que o Brasil não pode esquecer. Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (Geraldo Vandré) tornou-se um hino de resistência dos movimentos contra à ditadura militar brasileira. Porém, por conta do enorme sucesso, a canção foi proibida pelos militares. A letra da música incitava o povo a resistir, unir forças contra a violência e opressão de um governo: “Nas escolas, nas ruas, campos e construções. Somos todos soldados, armados ou não. Caminhando e cantando e seguindo a canção. Somos todos iguais. Braços dados ou não”.

A música Cálice, lançada por Chico Buarque em 1973 é uma das músicas mais fortes e significativas do período da ditadura militar. A letra faz alusão a oração de Jesus Cristo dirigida a Deus no Jardim do Getsêmane: “Pai, afasta de mim este cálice”. Contudo, para quem lutava pela democracia, o silêncio também era uma forma de morte. Muitas pessoas foram caladas e mortas, por pensarem diferente do governo e por lutarem para serem escutadas.

Saindo desta área de músicas de protesto, podemos ressaltar algumas músicas de cantores da MPB com letras e mensagens belíssimas, tais como: Como uma Onda no Mar e É preciso saber viver. Na música Como uma Onda, há uma verdade que sempre pulsa em frente a nossa visão, mas que insistimos em menosprezar: a de que tudo é efêmero e tem prazo de validade. A metáfora do oceano e da onda tem sido muito utilizada para ilustrar a verdade do ciclo de nascimento, vida e morte em que tudo na natureza está submetido. Uma primeira interpretação da onda no oceano vem no sentido da sua curta duração. Lulu Santos, inspirado, escreveu sua música com os seguintes versos: “Nada do que foi será do jeito que já foi um dia; tudo passa e tudo sempre passará; a vida vem em ondas como um mar; num indo e vindo infinito; tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo; tudo muda o tempo todo no mundo…”.

Os versos da música “É preciso saber viver”, retratam a importância da persistência, principalmente quando pedras surgem em nosso caminho. Para os compositores, viver é saltar e não ter medo da queda, é não sofrer, mas aceitar a dor: “Quem espera que a vida. Seja feita de ilusão. Pode até ficar maluco. Ou morrer na solidão. É preciso ter cuidado. Pra mais tarde não sofrer. É preciso saber viver. Toda pedra no caminho. Você pode retirar. Numa flor que tem espinhos. Você pode se arranhar. Se o bem e o mal existem. Você pode escolher. É preciso saber viver”.

Assim como a MPB, o forró que é um nome utilizado para descrever diferentes estilos musicais, como o xote, o baião, o arrasta-pé e o xaxado, no início dos anos 70, também buscando fugir da censura da ditadura de 64, vários compositores lançaram músicas de forró com duplo sentido. Eram letras maliciosas e, quase sempre, com cunho sexual, ainda que de forma disfarçada, mas cujas rimas deixavam claro o objetivo das composições.

As primeiras músicas representantes dessa “moda”, duplo sentido, mas não escancaradas, foram “Ovo de codorna” e “Capim Novo”, gravadas por Luiz Gonzaga, além de “Procurando tu” e “Você tá boa”, grandes sucessos do repertório do Trio Nordestino.

Neste período o cantor compositor e sanfoneiro pernambucano José Nilton Veras, mais conhecido pelo apelido Zenilton, ganhou fama pelo teor humorístico de suas letras. “Capim Canela” iniciou a série de músicas de sucesso: “é só capim canela, é só capim canela”. Depois veio, Bacalhau à Portuguesa: “Eu quero cheirar seu bacalhau/ Maria, quero cheirar seu bacalhau”. Em 1982, Zenilton lança o LP com o nome Grilo dela, com a música Cri-Cri: “Peguei, peguei, peguei o grilo dela”.

A alagoana Clemilda, foi um dos ícones do Forró de duplo sentido. Um dos principais sucessos foi: Prenda o Tadeu, “Seu delegado prenda o Tadeu. Ele pegou a minha irmã e… crau”.

Independentemente do período da história, as músicas de forro sempre se destacaram pelo sucesso regional apresentado em suas letras, principalmente mostrando a realidade da vida do sofrido povo nordestino. O chamado forró tradicional ou forró pé-de-serra, terá sempre como seus maiores representantes os pernambucanos Luiz Gonzaga e Dominguinhos, os paraibanos Jackson do Pandeiro e Sivuca. Não tenho dúvida que a música “Asa Branca” de Luiz Gonzaga deva ser considerada o Hino dos Nordestinos.

Quero destacar a música de forro “A natureza das coisas”, lançada em 2007 pelo pernambucano Accioly Neto. Essa música me chamou atenção por representar o cotidiano da vida de todos: “Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada. Se avexe não. A lagarta rasteja até o dia em que cria asas. Se avexe não. Que a burrinha da felicidade nunca se atrasa. Se avexe não. Amanhã ela para na porta da sua casa”. A natureza não tem pressa. Sem pressa, calma! Tudo a seu tempo. A natureza é sábia e não há nada por acaso. É preciso que façamos a nossa parte e o resto virá no seu tempo devido. A música termina dizendo: “Se avexe não. Toda caminhada começa no primeiro passo. A natureza não tem pressa, segue seu compasso. Inexoravelmente chega lá. Se avexe não. Observe quem vai subindo a ladeira. Seja princesa ou seja lavadeira. Pra ir mais alto, vai ter que suar”.

Um dos cantores e compositores mais conhecidos no Brasil, o Rei Roberto Carlos, mostrou em diversas músicas que a sensualidade pode existir nas músicas, sem precisar da apelação. Roberto Carlos, possui músicas carregadas de um romantismo erótico, que falam sobre a intimidade de casais na cama (ou em outros cantos da casa), que passaram a proliferar em seu repertório a partir dos anos 1970.

 Com “Proposta”, ele inaugurou sua face “cantor de motel”. Feita em parceria com Erasmo, a música descreve um convite tentador à amada: “Eu te proponho/ Te dar meu corpo/ Depois do amor/ O meu conforto…”.

Dois anos depois, Roberto voltou ao tema erótico com “Seu Corpo”. A música, ainda mais sensual que “Proposta”, descreve uma viagem quase cinematográfica pelo corpo nu da amada, no qual ele se perde para se encontrar: “No seu corpo é que eu encontro/ Depois do amor o descanso/ E essa paz infinita/ No seu corpo minhas mãos/ Se deslizam e se firmam/ Numa curva mais bonita…”

Apesar de todas essas sugestões líricas e imagéticas, Roberto percebeu que nunca havia usado a palavra “sexo” em nenhuma de suas músicas. Decidiu, então, dar esse passo à frente na canção “O Côncavo e o Convexo”, que relata o encaixe perfeito entre os corpos de dois amantes. E nela finalmente, aparecia a palavra tabu: “Cada parte de nós, tem a forma ideal/ Quando juntas estão, coincidência total/ Do côncavo e o convexo/ Assim é nosso amor no sexo”.

Quanto ao samba, entendo que vale o que dizia Dorival Caymmi, “quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé”.

A história do samba se mistura com a história do Brasil de diversas maneiras e gerou vertentes e mais vertentes, como a Bossa Nova, o pagode e muitos outros, o que faz com que ele seja muito popular até hoje e uma parte da identidade nacional brasileira. Diversos músicos brasileiros foram responsáveis por popularizar o ritmo, tais como: Noel Rosa, Cartola, Pixinguinha, Martinho da Vila, etc.

Vamos dar ênfase aos compositores Cartola e Gonzaguinha. Cartola que ficou conhecido por grandes sucessos como ‘As Rosas Não Falam’ e ‘O Mundo é um Moinho’, que trazem a essência de suas dores e questões existenciais da época, traduzidas da realidade em forma de versos poéticos que são acompanhados por combinações harmoniosas e expressivas de sons e samba raiz.

“Queixo-me às rosas, mas que bobagem! As rosas não falam!” A história desta canção é muito curiosa. Um dia Dona Zica, esposa de Cartola, recebeu de presente um ramalhete de rosas. Plantou no fundo de seu jardim e no dia seguinte ficou surpresa ao ver que muitas rosas já haviam desabrochadas. Chamou Cartola e perguntou para ele sobre o fato. O poeta respondeu que não sabia, afinal, as rosas não falam! Após dizer isso, Cartola percebeu que poderia fazer uma letra e ficou com aquela frase na cabeça. Pegou seu violão e em poucos minutos a música já estava pronta.

A letra da canção não tem muito a ver com a história que inspirou o compositor. Na canção, um homem está desconsolado por não ter o amor de sua amada. Resolve queixar-se para as rosas, entretanto as queixas não adiantam em nada, afinal as rosas não falam.

A canção “O que é o que é”, do compositor Gonzaguinha, reflete sobre a forma como cada um pode encarar seu dia a dia, sobre os prazeres e as dores de se estar e de se sentir vivo, além da esperança por dias melhores. Fala que a felicidade está na maneira como se vê a vida, como as crianças, que, em sua pureza, dizem: “é bonita, é bonita e é bonita”. A música é toda cheia de significados e reflexões. Isso porque Gonzaguinha também era poeta e tinha o dom das palavras. Ele sabia dizer muito de forma simples: “Eu fico com a pureza da resposta das crianças. É a vida, é bonita. E é bonita. Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar, e cantar, e cantar. A beleza de ser um eterno aprendiz. Ah, meu Deus!” Encontramos facilmente o mesmo mote de sofrimento de amor em basicamente todos os gêneros da música popular brasileira, como nas canções de axé, samba, bossa-nova, forró e rock. Contudo, apesar da liberdade exercida pelo tema entre os gêneros musicais brasileiros, o sertanejo atual abraçou a sofrência como a tábua de salvação do momento. As músicas de sofrência, em geral, falam de histórias de amor que já terminaram – e não foi de uma boa maneira – e de pessoas que sofrem com saudade de ex. Esse estilo não agrada a todas as pessoas, mas é bastante popular e suas letras sempre se encaixam na vida de alguém que está passando por um término.

Na análise das relações entre as antigas canções de amor e as atuais vem da expressão cunhada por Lupicínio Rodrigues: dor de cotovelo. Tal expressão tem sua origem exatamente na posição de abandono que aqueles que sofrem de amor ficam quando estão no bar. Ao se apoiar sobre a mesa, enquanto consome alguma bebida alcoólica, os cotovelos são castigados pelas longas horas em tal atividade. Hoje, esse termo cedeu espaço ao termo sofrência. É mais comum entre a juventude, principalmente, ouvir que alguém “está na sofrência” do que está com dor de cotovelo.

 Contudo, o termo cunhado por Lupicínio não foi excluído totalmente pela geração “sofrente”. Nela, ele se encontra sob nova versão: a dança. Muito característica, a dança “sofrente” é um tanto contida, com passos curtos, sem se deslocar muito do lugar. No entanto, o que é mais singular na dança é a posição dos braços.

Em nosso passeio musical, colocamos apenas alguns estilos musicais e fizemos algumas interpretações de canções. Mas como existem muitos gêneros musicais, possivelmente cada brasileiro tenha seu gosto e sua lembrança. A música nos conecta a momentos. Quando ouvimos uma canção, automaticamente ela nos lembra alguém, algum lugar ou situação. E isso nos traz proximidade, mesmo que em pensamento. Poucos acordes são suficientes para iniciar uma viagem no tempo e trazer ao presente lembranças já esquecidas.

Hoje em dia temos músicas que não passam sentimento ou admiração alguma, vivemos numa época em que o ridículo é muito bem aceito. O problema é que atualmente muitas músicas não têm a intenção de tocar a alma do homem. Independentemente dessa tortuosa situação que a música brasileira está passando, a música brasileira tem uma bela história e continua revelando importantes artistas.

O surgimento exato da música ainda é um mistério entre os historiadores e cientistas que debatem até hoje quando os primeiros instrumentos musicais foram criados. Mas se há um consenso entre todos, é de que a música existe há tanto tempo que não conseguimos imaginar nossas vidas sem ela. Imaginem um mundo sem festivais, shows, bares com uma boa banda, ou baladas para dançar até clarear o dia? Agora imaginem um filme ou série favorita sem a trilha sonora para acompanhar?

Segundo a poetiza Neusa Marilda Muxxi, a primeira nota musical que ouvimos foi no ventre de nossa mãe. O tum…tum…tum…do coração dela era a canção especial com que a vida nos brindava naquele momento.

O mundo é nosso palco. A vida é nossa arte, nossa música. Nós somos os músicos. Protagonistas que somos, devemos escolher o que queremos tocar e apresentar sempre um show inesquecível! Ouça… faça da vida um belo espetáculo musical! (Maykira).

Assim sendo, e lembrando de uma música do cantor Martinho da Vila, podemos dizer: “Canta canta, canta minha gente, deixa a tristeza pra lá. Canta forte, canta alto. Que a vida vai melhorar!”

29 Thoughts on CANTA CANTA MINHA GENTE DEIXA A TRISTEZA PRA LÁ
    Claudio
    7 Feb 2022
    6:03am

    Ótimo texto.
    Parabéns.

      admin
      7 Feb 2022
      6:09am

      Obrigado Grande Paraibano de Guarabira- Pb.

    Marcelo Raposo
    7 Feb 2022
    7:18am

    Excelente texto.

    Luiz Antônio Costa Carneiro
    7 Feb 2022
    7:25am

    Parabéns Viana. Um belo passeio pela nossa história recente musical. O Brasil é a maior potência musical do planeta e não nos damos conta disso!!! Que um dia possamos despertar para isso.

    Francisco Ivan de Oliveira
    7 Feb 2022
    7:40am

    Muito bom Viana,o texto demonstra a enorme riqueza da nossa música popular, apesar de hoje em dia , terem surgidos alguns tipos de música que as vezes ferem nossos ouvidos.!!!!

    Ney Argolo
    7 Feb 2022
    8:06am

    Sensacional Viana, Muito Bom!!

    Marco Morais
    7 Feb 2022
    8:24am

    Genial… como sempre!

    Marcelo Dutra
    7 Feb 2022
    8:44am

    Parabéns Viana, pelo excelente e oportuno texto. De fato, a música permeia todos os momentos de nossa vida. Você mostrou que sua sensibilidade musical despertada ainda na infância continua presente.

      admin
      7 Feb 2022
      11:53am

      Nem tanto (kkkkk). Você é um bom amigo.

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